quarta-feira, março 18, 2015

Je repars à zéro




Vou falar sobre uma das teorias mais idiotas que você já ouviu falar, mas, que para duas pessoas no mundo, uma em São Paulo e outra em Ecully, Lyon, França (vai segurando!), faz todo sentido. 

"Esqueci a chave do carro dentro do porta malas. E tô aqui sem carro e sem chuva. (chave). Na rua"
O bom das grandes amizades que você faz na vida é que, mesmo depois de quase um ano sem conversar, não é necessário qualquer tipo de formalidade para se iniciar um papo. Diretamente de Ecully, recebi uma mensagem da Tati, após ler meu texto de ontem, enquanto esperava alguma ajuda para resgatar sua chave (ou chuva) do porta-malas.
Como naquele tempo em que voltávamos da escola a pé, conversamos sobre tudo, intercalando vários assuntos, rindo, chorando. Os últimos anos foram uma jornada dura para nós dois.(sim, quem mora em Ecully também tem problemas).

Aí expliquei a minha "Teoria do Limpador de Para-brisas" para ela. 
No dia primeiro de maio de 2014, eu estava parado no sinal quando senti um impacto no carro. Olhei pelo retrovisor e vi o vidro quebrado, cacos com sangue e o limpador de para-brisa caído. Desde esse dia, tudo começou a dar errado na minha vida. E desde esse dia, o carro anda sem o limpador traseiro. Então, tudo de ruim terá um fim quando eu colocar um limpador novo. 
Terminei esta bela teoria com um "eu sei. É ridículo". 
Enquanto ela digitava a resposta, fiquei imaginando o que ela poderia estar escrevendo:
A) Para de ser idiota! Como um pedaço de plástico vai influenciar na sua vida?!
B) Va te faire foutre!
C) A chave (chuva) chegou! Beijos!

Mas ela disse:

"Não acho ridículo...Bota isso no lugar. Se você esta dando a esse limpador o comando da sua vida, se você acredita nisso, isso passa a ter poder."

Ficamos sem falar um pouco. E ela continuou: 
"Olha Leo, você tem tudo, mas tudo mesmo pra mudar essa situação. Você é tão talentoso! É um cara mega-sensível, inteligente, tem umas tiradas ótimas. Olha, eu sou especialista em recomeços. Chuta o balde e vai. O que tem a perder? Energia..tudo no mundo é energia. Você lança, você recebe. É assim. Dá um chute nesse maré ruim aí é muda a atitude, o pensamento."

Falamos mais um pouco e nos despedimos. Ela conseguiu a chave de volta, foi pegar as filhas na escola e seguir sua vida nesse lugar onde os xingamentos soam como música. 
Fiquei pensando em tudo o que aconteceu conosco nos últimos 20 anos. Em quantas vezes ela teve que recomeçar, em tudo o que ela teve que ouvir, as conquistas, as perdas, as cicatrizes. E ela continua lá, sendo a mesma menina que voltava a pé comigo da escola, sorrindo para vida, mesmo que a vida tenha a feito chorar algumas vezes. 
Não deve ser tão difícil começar do zero. Mas por via das dúvidas, essa semana vou colocar o limpador novo.
Merci, Mon Petite Biscuit! Je te aime, mon ami

A Teoria do Limpador. Por Leo Pollisson




terça-feira, março 17, 2015

Papo de louco



Sentei-me em um banco de um praça. Nele, um homem que aparentava ter quase 60, embora tentasse parecer mais jovem, lia um jornal com uma certa dificuldade em ler as letras borradas por causa da garoa fina que caia em seus poucos cabelos artificialmente ruivos, ou castanhos, ou acaju, como preferem alguns.
Recostei a cabeça no banco e enquanto deixava a garoa fina lavar meu rosto, ouvia o barulho das páginas do jornal, que se moviam vagarosamente. Percebi que o homem olhou em minha direção, mas eu estava curtindo demais aquele banho de chuva para olhar de volta. 
Continuei pensando na vida, em tudo o que aconteceu desde o ano passado e tentando buscar alguma esperança para o que virá. 
Até que sou trazido de volta ao banco, quando uma voz grave, porém amistosa, me pergunta:

- Dia ruim?
- Normal. Como os últimos 300, talvez.
- Tomou um pé na bunda da namorada.
- Não. Na verdade, não fosse por ela, eu nem conseguiria sair de casa. Estaria vendo essa chuvinha pela minha janela. Em todos os momentos ruins, ela esteve ao meu lado. Até quando eu não merecia. 
- Isso é bom. Ter alguém é bom. Alguém que a gente se importa e que se importa com a gente. Então. Qual o motivo desse desanimo? Você não parece doente. 
- Ah. Você não vai entender. Vai ser mais um a me dizer que eu tenho saúde, tenho alguém que se importa comigo e isso basta. Deveria bastar. Mas no mundo de hoje, talvez isso seja pouco.
- Olha, eu entendo de muitas coisas. Já tive problemas de todos os tipos. Rode a roleta e escolha um assunto.
- Trabalho.
- Eu sempre trabalhei duro, cara. Desde jovem, via meus amigos realizando seus sonhos, dirigindo carros e motos descoladas, saindo com as melhores garotas e eu nunca conseguia prosperar. Estava sempre um passo atrás. 
- Eu sei como é. Uma merda. 
- Sim. Uma grande merda. Até que um dia minha sorte mudou. Eu tinha conseguido o emprego perfeito. Ganhei todo o dinheiro que eu podia. Tive os carros, as motos e as garotas que eu quis, especialmente as que fingiam não me ver naquela época. 
- É maravilhoso, não é?
- Se é...A gente se acha indestrutível, inquebrável. Começa a achar que tudo de ruim que aconteceu, ficou pra trás e que nunca mais sua vida será uma merda.
- Grande erro. 
- Sim. O pior deles. Quem diz que "o pior já passou", mal sabe que "o pior está por vir". E assim como você não era preparado para o sucesso, também não é preparado para um novo fracasso.
- Eu sei. Na verdade é assim que eu me sinto hoje. Um grande fracasso.
- Eu entendo. Já estive em seu lugar. É uma merda, mesmo. Você acha que seu auge ficou para trás, que suas ideias já foram usadas e que não importa o quanto você se esforce, aquele cara que você adorou ser, jamais voltará.
- Sim. Exatamente isso. Com 35 anos eu sinto que já estou descendo a ladeira. Que meu auge já passou.
- Demorei para parar de pensar assim. Fui colecionando fracassos, péssimas escolhas, decepcionei muitas pessoas, me decepcionei. Chorei, sofri, pensei em desistir, mas nessas horas, sempre pensava em algo que fizesse meu esforço valer a pena. E continuei. Até que deu certo. Foi duro, mas cada lágrima valeu a pena. 
- Que bonito...De qual livro de auto-ajuda você tirou essa baboseira?
- Na verdade, não tirei de um livro, mas desse roteiro que eu estou lendo e pensando se aceito o papel ou não.
Finalmente olhei para o homem e vi seus olhos azuis me olhando por cima do jornal. Ele se levantou, dobrou o jornal e bateu com ele levemente em minha cabeça, enquanto dizia:
- Não desista!
Eu, atônito, fiz uma última pergunta.
- Qual é a sensação de voltar ao auge, de estar feliz novamente?
Ele sorriu, virou de costas e disse.
- Você vai descobrir.

E foi assim que eu tive a conversa mais legal de todos os tempos com Michael Keaton. 

Pena que o despertador tocou... 

quinta-feira, janeiro 22, 2015

F.R.E.E.L.A.



O silêncio da manhã é quebrada por uma música vibrante, clássica, em altíssimo volume (Party Rock Anthem, LMFAO, no meu celular). Acordo atônito e ao atender a ligação, ouvi do outro lado uma voz que dizia:

- Bom dia! Por favor o Senhor Leonardo.
- É ele. (Resposta curta para que dê tempo do Jorge Aragão sair da minha garganta. Não é legal uma pessoa saber que você está dormindo as 10h.)
- Tudo bem? Eu falo da empresa X (na verdade era um nome conhecido)
- Tudo ótimo. (resposta que indica positividade, otimismo, motivação. Afinal, pode ser um recrutador querendo marcar uma entrevista, um call ou até mesmo me oferecendo uma vaga! Que ótimo início de quinta-feira)
- Somos uma empresa de ponta em nosso segmento e gostaríamos de lhe oferecer uma oportunidade única. (Tô dentro! Que legal! Vou reformular o conceito de comunicação da empresa, dar um boost nas redes sociais, motivar a equipe! Caramba, que 2015!)
- Pois não. Pode falar! (Já tô com a caneta e o papel na mão, cara!)
- Oferecemos um desconto de 5% na compra a à vista de um automóvel 0km, ou a primeira parcela em abril. 
- Entendi. No momento eu não tenho interesse. 
- Mas senhor Leonardo, esta é uma grande oportunidade! Só nós oferecemos este desconto no mercado!
- Eu sei. No momento eu estou desempregado.
- Ah tá. Valeu!

Ah, foram anos sem sentir emoções como essa! Cada vez que um número desconhecido liga, tudo pode acontecer. Enquanto não acontece, fico feliz quando aparece um freela. 
Ah, o jornalismo autônomo. Quanto tempo não te via!

Everyday I'm Shuffling


quarta-feira, janeiro 14, 2015

Orra, meu!


Era mais uma quarta-feira de sol naquele bairro tradicional de São Paulo. Aquele, onde o sotaque é carregado, onde se ouve um "orra", ou "bicho" e muitos "erres" em sequência em cada esquina, bar ou cantina. A Moóca.
Segui andando em direção ao Estádio Conde Rodolfo Crespi, a famosa e charmosa Rua Javari. Fui buscar inspiração para meu novo projeto em um lugar em que eu tivesse tranquilidade e um jogo de futebol, mesmo sabendo que a qualidade do espetáculo poderia não ser das melhores. 

Mas acabei encontrando muito mais que isso. Ao passar pelo acanhado portão grená, com um grande "J" pintado, o barulho e o calor (humano) aumentava. Passei por um moleque travesso com seu estilingue no bolso, pelo seu Antônio e seus famosos canollis e cheguei às arquibancadas.
Lá, encontrei quase 3000 apaixonados, vestindo camisas com um ar retrô, que os grandes clubes tentam (e não conseguem) imitar, cantando alto o nome do orgulho da Moóca: o Clube Atlético Juventus.
Se você gosta do futebol contemporâneo, de Neymar, Messi ou Cristiano Ronaldo, aviso que este lugar não é para você.
Mas se você gosta do futebol, puro e simples, a Rua Javari te dará (ou devolverá) sensações que você não sentia desde que chutou uma bola de capotão pela primeira vez, ou desde que seu pai o levou ao estádio, independente de qual seja seu time de coração.
O coro entoado pela massa Juventina, "morte ao futebol moderno", sintetiza o clima de futebol de raiz que domina este santuário do verdadeiro esporte bretão em São Paulo.  

Em uma época onde o assento de concreto virou uma cadeira reclinável e o dogão virou um hambúrguer gourmet, ir à Rua Javari, 117, se torna uma verdadeira viagem no tempo, onde você pode desfrutar de um saboroso picolé de frutas, mandando às favas as superestimadas Paletas Mexicanas.
Não, não deixarei de ir ao Allianz Parque torcer pelo Palmeiras, tampouco de reservar meu ingresso pela internet. Como diriam os Demonios da Garôa, é o "Pogréssio". Mas não vou mentir dizendo que não sinto saudade do cheiro do pernil, que sentia enquanto ficava fila do ingresso, dizendo a cada um que me pedia "1 real pra inteirar o ingresso", que "tava com o dinheiro contado, Palestra".
A evolução vai deixando tudo mais fácil, rápido e um pouco chato. Pode ser que eu seja saudosista, não nego. Mas ao menos, desde a última quarta, encontrei um oásis do futebol de verdade. Além disso, lá você pode ler no avental do tiozinho que vende bonés e camisetas do Juventus uma mensagem inspiradora:
"Você já beijou seu filho hoje?"

domingo, janeiro 04, 2015

Em 2015 eu...



Vou reclamar menos e sorrir mais.
Não vou guardar mágoa, rancor, tristeza e roupa velha. 
Vou tirar muitas fotos
Escreverei mais
Vou fazer bom uso do meu baixo e da minha guitarra.
Serei mais honesto comigo
Valorizarei mais a família e os poucos e bons amigos
Viajarei mais com a minha Preta
Ouvirei mais músicas novas. Minhas velharias tem que dar espaço à novas músicas
Irei fazer mais exercícios.
Terminarei o ano usando calças 46. Até consegui fechar umas, mas estava do lado de fora.
Vou desistir de deixar a barba. Ela não vai crescer mais que isso.
Vou brincar mais com meus sobrinhos
Vou ser um namorado mais legal (as vezes eu sou um idiota)
Vou me livrar de amizades ruins
Vou trabalhar muito e gastar pouco
Vou fazer a pós que estou enrolando
Vou colocar meus projetos adormecidos em prática
Vou mais ao teatro, ao cinema e a museus. 
Vou ser feliz pra caralho

E vou falar menos palavrão 

quarta-feira, dezembro 31, 2014

Eita, 2014

Primeiro, a trilha sonora. A melhor música do ano.




Há exatos 365 dias, escrevi um post  cheio de esperança em um ano melhor. Mas de uma certa forma, 2014 foi bem frustrante. O bom é que ele acaba hoje. Menos mal é que as experiências ruins ensinam muito mais que as boas, logo, este ano foi o que mais aprendi. Algumas coisas continuavam como em 2013, como minhas declarações de amor escondidas, das superstições nos dias de jogos do Palmeiras. 
Ah, assim como em 2013 tirei férias e viajei pouco, porque estava cansado demais pra viajar pra longe. 
Reencontrei os amigos da faculdade e foi muito legal.
E aí, de repente, a sorte virou. Uma sequência de episódios marcantes na minha vida, que me farão sempre lembrar com tristeza deste ano. Em uma manhã de sexta, o telefone tocou e meu tio, que mal conseguia falar, dava a notícia. O Rico, meu primo, se foi. 
Dias depois, um ciclista bateu no meu carro quando eu estava parado no farol. Mas as coisas pareciam que iam melhorar. Em uma conversa honesta no trabalho, meu chefe disse que estava querendo me promover a gerente, pois o gerente atual era fraco, não tinha pulso firme e maturidade para o cargo. Fiquei animado, passei a me esforçar ainda mais e os planos de comprar um apartamento com a Jacque estavam prestes a se concretizar! Estávamos com o contrato pronto, no outro sábado levaríamos tudo lá e começaríamos a construir nosso sonho. 
Na segunda-feira, estava tomando café na copa quando meu chefe entrou, me viu e, sem graça, saiu. O "fraco" como diria o meu chefe, saiu sem se despedir de mim. E logo eu matei a charada. Quem iria embora seria eu. Avisei meus pais, minha namorada, tirei os arquivos do meu celular e me preparei. Na terça, incomodado com a indiferença dos outros comigo, tive uma crise de ansiedade horrível, achei que iria morrer na minha mesa e fui parar no hospital.
Na volta, nem me perguntaram como eu estava. Continuei trabalhando até as 23h30.
Na manhã de quarta, não teve jeito: após 3 anos e meio de Groupon, fui dispensado como um qualquer, no meio de um bando. Ainda fui obrigado a ver toda aquela hipocrisia, choradeira, "ah, como é difícil te demitir". Esse episódio teve consequências muito fortes pra mim. Ao menos eu tenho a consciência que deixei tudo o que eu tinha de suor. Tudo. Mas foi difícil sair e ver gente que dormia no banheiro, na mesa, lá ainda, ou gente que ganhava muito mais que eu pra ficar vendo gifs e vídeos no Youtube o dia todo. Fora o imbecil, mau caráter que se dizia poliglota mas não sabia os dias da semana em inglês e que eu carreguei nas costas durante 2 anos. Mas o que esperar de uma pessoa que entrou na empresa de uma maneira tão suja. 
Ao menos deixei muitos amigos e admiradores do meu trabalho. 
Tentei recomeçar e fiz um Curriculo legal, seguindo o modelo do Robson.
De repente, meu tio Zé também se vai
Eu estava começando a me animar novamente, a Luciana me deu uma nova chance de recomeçar lá em Cajamar, onde conheci e reencontrei pessoas muito legais. Tudo ia bem, até que eu recebi a pancada mais dolorida de 2014. Uma daquelas que você nunca vai entender ou aceitar, mas tem que seguir em frente. O Alemão foi embora. Não aguentou o transplante de fígado.
Depois desse dia, eu já não conseguia fazer mais nada. Trabalhar, conversar com família, ver os amigos. Estava deprimido, ainda tinha crises de pânico e achava que meu trabalho estava muito ruim. Fiquei maluco e saí do emprego. 15 dias depois, recebi uma proposta muito legal, de uma pessoa sensacional e de um emprego legal demais. Aceitei e foi a pior coisa que eu fiz. Eu não estava pronto, ainda não tinha engolido a demissão no Groupon, nem aceitado a ida do Alemão. Eu deveria ter descansado, mas não, fui tentar provar pra mim mesmo que eu podia. E eu já não podia mais. Fiquei um mês e saí. Precisava descansar, pensar, refletir sobre tudo o que aconteceu em 2014.
Precisava resgatar a felicidade plena, e tentei levar a vida numa boa, curtir mais. Levei meu pai pra ver o César Maluco, o ídolo máximo dele, assisti um filme fodafui ver Anabelle, e dei uma zoadinha no Pita, que nem me convidou pro casamento.   Em compensação, vi idiotas falando pela bunda nas eleições, tentei reaproximar meus amigos e tomei no rabo, porque eles pararam de falar comigo. Nem mesmo um feliz aniversário eu ganhei. Sofri com o aniversário do Alemão e vi a inauguração do melhor estádio do mundo com o pior time da história jogando nele. Escapamos do rebaixamento por milagre.
Há 4 dias fiz 35 anos. Comecei a pensar muito no que eu quero e, acima de tudo, o que eu não quero, não só pra 2015, mas sim para o resto da vida. Foi um ano de encerramento de ciclos ruins, de amizades de merda, de gente falsa e de essa mania merda que eu peguei de ligar muito para o que os outros pensam. Quero trabalhar bastante, namorar muito, ficar rodeado de poucas e boas pessoas e dormir todas as noites com aquela sensação boa de ter feito bem pra mim e para quem está ao meu redor. 

Obrigado a todos que leram este longo texto até o fim e que acompanham este blog real e surreal. Que 2015 seja um ano espetacular para todos nós e que todos encontrem a felicidade, onde quer que ela esteja. 
PS: Obrigado à minha Pretinha e família, que foram fundamentais para que eu não enlouquecesse este ano. Amo vocês!
PS2: Quem esqueceu do meu aniversário não fique triste, quem faz aniversário dia 27/12 está preparado pra isso. 
PS3: É um bom videogame mas o XBOX 360 é mais legal. (Piada pra Flavinha)

Good Vibrations a todos e feliz 2015

segunda-feira, dezembro 22, 2014

Carta para vovó - Parte 3


Oi, Vó. Como estão as coisas por aí? 
Esse ano foi difícil, viu...O colo da senhora nunca me fez tanta falta. Tanta coisa aconteceu desde minha última carta que eu nem sei por onde começar. Talvez pela parte boa. Viu minha namorada, que linda? Ela e a família dela são uma benção na minha vida. E minha sogra, que faz um bolinho igual o da senhora. Só que eles chamam de "peta". Até chorei quando comi. Lembrei da senhora, de como a gente tomava bronca quando queimávamos a boca por não esperarmos esfriar. No mais, estamos todos com saúde. Eu, meus pais, a Fê, o Anderson, as crianças, o tio, a tia e o Ramon, o Dan e a Mariana. Tudo certo. 
Esse ano precisei tanto da tua mão pesada me confortando. Tudo deu errado, Vó. Tudo.
Fui mandado embora daquele emprego de um jeito muito covarde, sujo mesmo. Lembrei de quando a senhora dizia que eu tinha que desconfiar de todo mundo, porque tem muita gente ruim por aí. Tem mesmo.
Depois desse, entrei e saí de outros dois empregos, mas não tinha que ter entrado em nenhum, porque ainda estava muito desapontado. Deveria ter descansado, passeado. Na verdade, queria que a senhora estivesse aqui pra conversar comigo. Todo mundo esteve muito ocupado esse ano. E eu não consegui pedir ajuda, mesmo tendo precisado como nunca. 
Quando pedi, já era tarde, eu já tinha feito tudo errado, o ano já tinha acabado e minha pequena só podia me ouvir e me consolar.
Tanta gente querida foi pra perto da senhora esse ano. O Rico, o Tio Zé, o Alemão. Ao menos o filho do André e da Carla nasce mês que vem. Uns vem, outros vão. É a vida.
Eu queria ter mais coisas boas pra contar. Dizer que tudo o que planejei este ano deu certo. Mas foi quase. Faltou pouco pra eu comprar um apartamento e casar. Se Deus quiser o ano que vem vai ser melhor. 
Esse tá acabando. Logo é Natal, meu aniversário e o Ano Novo. Era a época do ano que eu mais gostava; acordava tarde, já o cheiro do frango e do peru que a senhora começava a fazer logo cedo e sorria. Sabia que seria mais uma festa gostosa, com comida, alegria e muita risada, graças às suas histórias.
Eu juro que tento passá-las adiante. Tanto que a Jacque já sabe quase todas. Até "munha" ela já fala.
Também prometo me esforçar ao máximo pra que o ano que vem eu só tenha coisas boas pra contar pra senhora. Deixá-la orgulhosa. Além disso, vou tentar ser aquele cara alegre como eu era há um tempo. Contar histórias, piadas, causos, mesmo sabendo que aquela risada estridente da senhora vai ficar apenas na minha memória, no meu coração e aceitar que as coisas nem sempre vão sair como a gente quer. Afinal, "não tem que fun, nem que rifunfun; a lei é que manda".
Até a próxima, velha. Te amo.
Ah, sua bengala tá aqui no meu quarto, tá? Qualquer coisa...

domingo, dezembro 07, 2014

A bola

Pra mim, o futebol é mais que um simples esporte. Não que eu tenha uma definição pra ele. Não, não tenho. Talvez por isso ele seja tão mágico, por não ter classificação ou adjetivação ideal para mim. As primeiras lembranças que tenho desses quase 35 anos (faltam exatos 20 dias) me colocam na cozinha de casa, ao lado de um rádio verde, que por sinal eu aprendi a odiar assim que comecei a ir à escola, pois era ele que despertava com a música da Jovem Pan. Mas foi nele que ouvia os jogos com meu pai. Leão, Vágner, Caçapa, Edu, Jorginho, Mirandinha, Éder, foram os nomes a ecoar nas paredes de casa pela voz de José Silvério. Depois dos jogos, ia dormir ouvindo Milton Neves e o Terceiro Tempo.
Desde meu primeiro jogo ao vivo, naquele 10 de setembro de 1986, já vivi de tudo no estádio. Alegrias, tristezas, decepções. Já vi golaços, frangos, craques, cabeças-de-bagre, milagres e dei muita risada. Quase sempre ao lado do meu pai. 
E talvez aí a chave de tanta paixão pelo Palmeiras, pelo futebol. Sempre fomos aos jogos juntos. Algumas vezes, estávamos brigados, mas a arquibancada era a bandeira branca. Outras vezes, ia sozinho. Nessas vezes, chegava bem cedo, pensava na vida, refletia, sonhava, mal prestava atenção no jogo. Nem lembro quantas vezes ia naquele lugar lotado para me isolar do mundo. Vai entender.
Este ano, que foi o mais difícil da minha nada mole vida, fui a 21 jogos. Não me lembro de ter ido tanto ao estádio. Também não me lembro de ter visto o Palmeiras perder tanto. E antes que digam que sou pé frio, saibam que este time é o pior da história alviverde. Mas mesmo assim, hoje, as 17h estarei lá. Torcendo contra o terceiro e mais humilhante resultado da história: o rebaixamento no ano do centenário. Usarei de todas as superstições que carreguei de 1986 a 2008, e que nos últimos anos deixei de lado por que parei de acreditar em algumas superstições. Hoje é dia de voltar a não ir ao jogo com a camisa do Palmeiras, de fazer a barba antes de sair de casa, de não usar óculos, entre outras coisas. Pode ser besteira, mas e daí? Como uma vez ouvi por ai, o futebol é a coisa mais importante das menos importantes.
Mas neste ano tão difícil, o que me resta hoje é torcer por uma vitória tranquila, sem sustos. Para que 2015 seja melhor, para o Palmeiras, para mim. Logo eu, que comecei este ano tão cheio de esperança e hoje apenas torço para que ele acabe, assim como este campeonato. Espero que hoje, as 20h, eu esteja deitado no colo da minha namorada, contando os detalhes da vitória, e ela, com toda paciência que lhe é peculiar, ouça e sorria, como sempre faz.
Que 2015 carregue o verde da esperança, do Palmeiras, do meu coração.
E se tudo der errado, que a gente levante e continue na luta. 
Porque o futebol é muito mais parecido com a vida do que se imagina.


segunda-feira, novembro 24, 2014

#DeVoltaPraCasa

Já era hora de voltar para casa. Afinal, desde 2010, estava longe daquele lugar tão familiar, da minha família, daqueles amigos que nunca fiz, mas que conhecia tão bem. Da esposa do velho Calabrês, que morreu do coração enquanto ouvia o jogo e que deixou como herança apenas uma bandeira. Do anjo que sumiu de repente. Do cara chato que colocava seu rádio dentro de um saco plástico e, com o volume máximo deixava todos malucos ao seu redor. Do vendedor de medalhas, do baleiro que trocava "Mentex" por "Mentek", das bandeiras, do mar verde que agitava aquele bairro tranquilo da Zona Oeste de São Paulo.

Na reinauguração do Palestra Itália, que agora se chama Allianz Parque, o que menos importava era o resultado e aqui, nem quero falar de futebol. 
Porque para um certo grupo formado por milhões de apaixonados, o resultado é o de menos. Nós estaremos lá, seguindo esta camisa, cada um com seus motivos para estar lá, mas todos com um propósito. Estar com a família.
Estivemos fora de casa durante 4 anos. Nos reunimos em outras casas, aconchegantes até, mas não chegavam nem perto do aconchego do lar. 

Sabe aquele tio que você adora, vê apenas nas festas de final de ano, contando piadas, fazendo a alegria da família? Então. Era como se você fosse morar com o esse tio. No começo é muito legal, mas de repente você percebe que seu ele só parece legal porque você o vê poucas vezes durante o ano. 
A saudade se misturava com a curiosidade de saber como estava aquele canto que era seu, o lugar na arquibancada, minha superstição era ficar debaixo do "C" do AntarCtica na placa. Confesso que ainda preciso achar o lugar ideal.
Está tudo tão bonito, tão moderno, organizado. Demorei um pouco para me encontrar, para assimilar que tudo tinha mudado. As cadeiras, a distância do campo, a localização das torcidas, do banco de reservas. Mas ainda é nossa casa. A sensação ao entrar foi a mesma da primeira vez, em 1987. 
A diferença está apenas dentro das quatro linhas, infelizmente. Os jogadores já não são os mesmos. Não tinha Edmundo, Evair, Zinho, César Sampaio, Cafu, Rivaldo, Djalminha, Paulo Nunes, Oséas, Alex, Marcos. Diego Souza estava do outro lado, com uma camisa que não era verde, não era nossa. 
Mas naquele dia não importava. 
A família estava de volta ao lar. Estávamos juntos novamente, cantando as mesmas canções, torcendo, xingando, brigando. Porque somos assim.
Porque somos Palmeiras.