terça-feira, novembro 09, 2010

Humans...Right?

Acabei de chegar em casa, depois de um dia duro, corrido, arrastado.
Comecei o dia indo ao cardiologista, pra ver como anda meu coração, além de apaixonado. Marquei a consulta para as 8:30h mas cheguei 20 minutos antes, com meu pai ao lado, pra matar algumas horas dos seus dias de aposentadoria.
Pra minha comodidade, marquei a consulta perto da minha casa, na Freguesia do Ó, periferia de São Paulo. As 10 horas, fui trabalhar, ao contrário da médica, que não apareceu.
A doutora não viu a minha indignação, e nem a da mulher que foi de ônibus, com os filhos a tira colo. Também não viu a senhora que caminhava com dificuldade e subia as escadas apoiada em sua bengala, igualmente indignada. Eu fui de carro, levei menos de 10 minutos pra chegar. Isso não é problema meu.
Cheguei no trabalho e horas depois fui almoçar. No caminho pro refeitório vi algumas diferenças em relação ao dia anterior. A comida voltou a ser feita de qualquer jeito, o refeitório lotado, o banheiro em condições precárias e as mesmas pessoas que foram dispensadas mais cedo, por não terem a educação e aparência adequada para um dia de visita dos acionistas, estavam lá, fazendo fila e orando antes de suas refeições pra voltarem ao batente em um prédio sem o mínimo de segurança. Do que eu estou reclamando? Ontem comi bem, em um lugar mais espaçoso e com cheiro agradável. Isso não é problema meu.
Não seria problema meu mesmo, se eu fosse individualista e não olhasse ao meu redor, ou ainda, se não olhasse pra trás. Sou neto de um pescador e de uma dona de casa por parte de mãe e de um lavrador/metalúrgico/caseiro e de uma lavradora por parte de pai.
Meu pai era peão de fábrica que com muito esforço chegou a Analista de Sistemas, sempre na mesma empresa alemã. Minha mãe era empregada doméstica e virou secretária também com muita luta, mas teve que parar de trabalhar quando minha irmã nasceu.
Vendo minha indignação, meu pais contaram histórias de suas vidas, de quando passaram por situações parecidas.  Ver meus velhos com os olhos cheios d'agua lembrando da parte mais dolorosa de suas vidas é foda... Imagino quantas lembranças de descaso o pessoal do trabalho, os pacientes da médica que atrasou
tem gravados em suas memórias.
Se você acha que o que acontece ao seu redor não é problema seu, você tem um problema sério.

Meu pai se aposentou na BASF em 2006, depois de 35 anos de muito trabalho.
Clique aqui e leia a história que ele escreveu, em uma homenagem prestada pela empresa alemã em seu site.