quinta-feira, maio 19, 2011

Shining (Sil) Star




Essa semana foi a mais fria do ano em São Paulo. Mas também foi a mais fria no meu coração. Domingo, uma das pessoas mais alegres que conheci foi embora, descansar e alegrar seu novo lar.
Nos conhecemos por acaso, ela começou a trabalhar em um salão que eu cortava o cabelo e um dia se apresentou para mim. Lembro como se fosse ontem, quando na verdade, já se passaram 11 anos.
Sorridente ela me disse: “Olá! Eu sou a Silvana, mas pode me chamar de Sil, todo mundo me chama assim. Você é o Léo né?”
E ai começamos a conversar e logo percebi que tínhamos amigos em comum, do bairro, do samba, da vida. Quando eu tocava na noite, ela ia ver, sempre com as amigas e com os filhos, alguns anos mais novos do que eu. E como sambava a Sil! Todos paravam para ver aquela morena com o cabelo na cintura sambar. E ela sempre me cochichava “Se você falar pra alguém que eu já sou avó eu corto sua orelha!”. Ela era avó de duas meninas lindas.
Eu sempre deixava para cortar o cabelo no ultimo horário, pra ficar conversando com ela até a hora de fechar o salão. Nessas horas ela sentava no banco de vime lá de fora e falava dos filhos, do namorado, das netas, da vida. Contava da adolescência sofrida, do casamento desfeito e de muitas outras coisas que a Silvana, não a Sil, me contava. Mas se alguém chegava, ela se transformava na Sil, e animava a todos com suas histórias e seu jeitão debochado de ser.    
Há uns dois anos ela adoeceu e já não nos víamos mais como antes, nem falamos mais sobre a vida e riamos das próprias desgraças. Ano passado, pouco fui lá.  Nunca fiquei tão cabeludo...No começo do ano, ela voltou ao trabalho e nos vimos pela ultima vez. Ela estava diferente, já não era a Sil, a minha cabeleireira. Era a Silvana, cansada de lutar e que cortou meu cabelo devagar, enquanto eu falava da minha mulher, do meu novo emprego e das minhas novas expectativas, que hoje penso, ela já deveria ter perdido.
Ontem estava arrumando uma papelada em meu quarto pra me distrair. Em meio a contas antigas, boletos e comprovantes, um cartão caiu em minha cabeça. Era o cartão do salão...
Não quero ficar pensando em como será a próxima vez em que eu for cortar o cabelo. Prefiro pensar que nossa ultima conversa a deixou feliz por mim e que ela viu que finalmente meu juízo tinha crescido tanto quanto meus cabelos. A Sil tinha um brilho próprio e iluminava a todos que faziam parte do seu dia a dia. E como nada é por acaso nessa vida, o salão dela não poderia ter outro nome senão “Sil Star”
Fique com Deus minha amiga



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