domingo, dezembro 09, 2012

True colors




Até o momento, 2012 foi um ano intenso, ao menos para mim. Vi tanta coisa, vivi tanta coisa, que estranhamente, não consigo listar, quanto menos escrever. Aliás, se teve uma coisa que eu não fiz este ano foi escrever. Só eu sei o quanto eu gosto, o quanto me faz bem. Está em mim, no meu sangue, na minha alma. Ainda que eu não tenha o vocabulário requintado de um imortal da ABL, do meu jeito, coloco as palavras compassadas com as batidas do meu coração. Poderia ter feito isso mais vezes, precisaria ter feito isso todos os dias...mas não deu. Não foi de todo ruim, além do meu sobrinho, outras coisas aconteram. Profissionalmente o ano foi bom, aprendi bastante, evoluí muito, mas e o resto?
O pouco tempo que tenho quando não estou trabalhando, uso pra dormir, descansar e cuidar da minha vida. Além do pouco tempo, estou passando por aquilo que chamam de bloqueio criativo. Talvez a falta de tempo seja o motivo da falta de criatividade. Vou escrever sobre o que? As horas que passo trabalhando? Quantas vezes eu viro na cama durante o sono? Não dá.
Já dizia o Capitão Nascimento, nosso super-herói brasileiro, "o sistema é foda". Ou você se vende e entra naquele esquema "Acorda-trampa-come-dorme" ou ele te engole. 
2012 voou e hoje, me dei conta como eu perco tempo com coisas idiotas, que nunca me levaram à parte alguma. 
Deus me deu um sobrinho lindo, que eu pouco vi. Uma família que eu não poderia ter deixado de lado, não esse ano. Não depois que minha avó se foi. Quantas vezes este ano meus tios me ligaram, me escreveram, me convidaram pra almoçar e eu nem sequer respondi? Várias.
Quantos finais de semana eu deixei de passar com meus pais na chácara, sentado no chão ao lado do Apollo? Quase todos
Quantas vezes deixei de partilhar coisas boas  e reclamei da vida até cansar? Muitas.
Meus amigos, quando precisaram de mim, não conseguiram me encontrar..E porque?
Porque o sistema é foda...Ele consome você como uma doença, daquelas que você percebe quando o tratamento é dolorido, doloroso...
O sistema levou embora minha característica mais marcante: a intensidade com que eu levava a vida. A sede de aproveitar tudo o que ela tem de bom; o amor, os amigos, a família, o fato de estar vivo, ter saúde. Eu já fui um cara obscuro, um filme em preto e branco. Também já fui uma daquelas telas de Van Gogh, com cores fortes, vibrantes. 
Em 2012, fui cinza. Algumas vezes, invisível. Não opinei, não argumentei, não apoiei, não censurei.
Este ano, fui apático, modorrento, distante...
Já tive anos muito melhores, muito piores, mas nenhum como este.
Ainda dá tempo de fazer algo, de lutar contra o sistema. Tempo de olhar pro que tenho de mais importante com a atenção que eu devo. Minha família, que costumava ter de mim toda a força e fé que sempre buscaram,  meus amigos, que são irmãos que a vida me deu, mas quando eu descuido, só fazem merda.
Se de fato acabar em 13 dias, o mundo deixaria em mim uma péssima última impressão. Mas digamos que ele ainda dure um pouco...2013 será conhecido como o ano em que eu lutei contra o sistema e venci. 
Pois nada é forte o bastante para me fazer esquecer quem eu sou.

2 comentários:

Robson Assis disse...

meu irmão, uma das coisas que menos fiz esse ano também foi escrever. E, no meu caso, eu acumulo demais esse monte de coisas que deveria ter dito. Meu ano foi lindo, cara, de muitos lados, o único lado que me resta absolutamente pesaroso realmente é isso do sistema comendo minha alma por dentro. Espero que ano que vem seja melhor, que exista um meio termo nessa parada e, que se existir, que a gente saiba como encontrá-lo no meio do caminho. Abração, ma nigga.

Helena Novais disse...

Me deixou com um nó na garganta... Grande texto!