domingo, março 18, 2012

Os Trapalhões






Eu amo meu pai! Isso é fato. Ele é meu herói e sempre será. Me ensinou muitas coisas, me dá conselhos, me mostra quando estou errado e me dá dicas em diversas situações difíceis, mesmo que até os 29, 30, eu teimasse em não ouvi-lo. Dele, herdei muitas coisas, mas algumas delas, me fazem querer socá-lo. 
A ansiedade é a primeira delas. Se as pessoas normais sofrem na véspera, eu sofro no mês anterior. Tudo bem que ele ainda ganha de mim, mas tenho medo de chegar lá. Uma vez, estávamos esperando meu cunhado para buscarmos minha irmã no aeroporto. De repente, vejo ele colocando a chave do lado de fora da porta...
- Pai, porque você tá colocando a chave aí fora?
- Pra ganharmos, tempo quando o Anderson chegar..
- Deus..
Não posso avisá-lo que estou indo pra casa dele. Senão ele não faz mais nada, a não ser ficar no portão me esperando chegar para abrir. Ele e o coitado do Apolo, que deve imaginar em sua cabeça de cachorro débil mental: "O que estamos fazendo aqui há tanto tempo?"
Outra coisa que eu puxei dele, mas aprendi a lidar é a timidez. Assim como ele, eu fico extremamente desconfortável com pessoas estranhas. Muito, mas muito mesmo. Mas eu me viro, afinal, minha profissão exige que, como profissional de comunicação, obviamente, eu consiga me comunicar. Mas, por exemplo, eu só peço comida em caso de extrema necessidade. Sempre dou um "Liga aí" e alguém liga. Meu pai, minha mãe, a Sandra, minha irmã e, assim que meu sobrinho aprender a falar, ele também vai quebrar essa pro tio. 
As vezes acho que meu pai trabalhou 36 anos na mesma empresa só para não ter que passar pela situação de ser apresentado a estranhos. 
A clássica do meu pai foi no casamento da Débora, minha amiga de infância. O clã Pollisson era formado por 5 pessoas. Fomos direcionados à uma mesa com 10 lugares. Meu pai já começou a suar. "Com quem vamos sentar? Quem será que vai sentar aqui?" Durante 15 minutos, ele sorria para todos que passavam perto da mesa, até que sentou uma senhora, com dois filhos e as duas noras. Deus...
Não vou contar tudo, porque tenho vergonha de lembrar. Vou resumir tudo em duas frases, ditas pelo meu pai à senhora:
"Esses jovens de hoje não conversam, pode isso? Quem acaba falando somos NÓS, os velhos."
A mulher arregalou os olhos e disse: "Vou me servir". E nunca mais voltaram...
Desde esse dia eu falo pra ele: "porque você não se apresenta assim: "Prazer, meu nome é Aimar. Faço piadas deselegantes quando fico desconfortável."
Bom, mas eu também vivo dando foras. Semana passada, no casamento da Marina, eu entrei na cozinha do buffet quando procurava pelo banheiro e fui atender o celular fora do salão exatamente na hora que os noivos entravam pela porta pulando e dançando ao som de "Satisfaction".
Espero que meu filho seja diferente de nós...
Não, na verdade, espero que ele seja como meu pai. Um cara honesto, correto e com o coração gigante...