segunda-feira, novembro 19, 2012

Avanti Palestra



O jogo acabou há 5 horas e o lance do gol do Flamengo ainda está aqui, na minha mente. Não foi esse gol que rebaixou o Palmeiras, foram vários fatores que, quando somados, fazem qualquer um perceber que seria impossível escapar do rebaixamento.
Alguns jogadores sem condições de serem profissionais vestindo a camisa do Palmeiras. A diretoria amadora, que não poderia nunca, comandar um clube com mais de 16 milhões de apaixonados. A torcida "organizada", que parece muito mais uma facção criminosa, que ficam de costas para o campo e fazem papelão atrás de papelão, até que o time seja prejudicado.
Mas, e daí?
Vou deixar de ser Palmeirense por isso? Antes que eu responda, você, meu amigo corinthiano, são paulino, santista, flamenguista, deixaria de torcer para seu time de coração? Não, claro que não.
O Palmeiras, antes de qualquer coisa, é movido por amor, por garra e por superação. O maior campeão nacional caiu, merecidamente. Em 10 anos, é a segunda vez que isso acontece. Sinal de que algo está errado. A partir de hoje, uma nova fase se inicia. Melancolia, abandono, frustração? Não.
É hora de aprender, ver o que está errado, ser humilde, aprender com quem já esteve lá; Milan, Juventus, Fluminense e até com o nosso maior rival, que desceu, se reestruturou e está aí, perto de ser campeão mundial.
Não é hora de deixar a camisa verde e branca, ou até mesmo a verde limão, na gaveta. É hora de ter orgulho, força, fé e esperança, que é verde, assim como nosso sangue.
Deixar o Palmeiras de lado, ao menos pra mim, é como se eu deixasse de ser quem eu sou, como se deixasse quebrar um dos elos mais fortes que tenho com minha família. Com meu avô, que quase vestiu a camisa do Palmeiras, meu pai, que me levou ao estádio pela primeira vez em 1986, meus primos, que nos deixaram, mas que lá do céu, ainda torcem, vibram e choram com o time.
O amor verdadeiro, não importa de qual natureza, é eterno. Não tem divisão, ocasião ou medida. É intenso, extremo, forte.
O verdadeiro torcedor da Sociedade Esportiva Palmeiras estará lá em 2013, jogo a jogo, gritando, sofrendo, vibrando, como foi em 2003, como será para sempre.
Dói, não vou negar, dói muito. Mas a tristeza do rebaixamento é passageira, já a alegria de ser Palmeirense, é para sempre.
Avanti Palestra, scoppia che la vittória é nostra!

quarta-feira, novembro 07, 2012

Olhai por nós...

Nos últimos dias, meu ritual tem sido o mesmo: ativo as newsletters, confiro, desligo o computador, apago as luzes, fecho a porta e saio, por volta da meia-noite. Vou ao estacionamento, pego o carro  e venho pra casa, mais ligado do que nunca. Porque? Moro na Brasilândia, região da Zona Norte, bairro que ganhou destaque nas manchetes dos principais jornais do país. 
A cada luz vermelha e azul, um frio na barriga, parar em farol, nem pensar. Olhos no retrovisor procurando algo suspeito. Cerca de 25 minutos de pura angústia até chegar em casa. Porque? Sinceramente não sei...
Moro aqui desde os 7 meses e nunca senti medo. Minhas lembranças, não tão distantes, tem gente conversando na rua, molecada curtindo um som até altas horas, em noites de calor como essas então, cadeiras na calçada, cerveja gelada e um "som ambiente" pra acompanhar aquela resenha. Nos últimos dias, um silêncio assustador, quebrado por alguns latidos, o barulho do vento nas árvores e janelas. 
Luzes desligadas, janelas fechadas e medo, muito medo. Do que? Não sei, não sabemos de quem estamos com medo, quem é o mocinho, o bandido. A única coisa que sei é que nessa história, não teremos final feliz. Muita gente já morreu, matou, sofreu, chorou...Porque?
Não sei...




terça-feira, novembro 06, 2012

Quero ser grande...really?



A semana começou e já percebi que será uma daquelas. Hoje me senti como o Tom Hanks, naquele filme "Quero ser grande". Juro que fiquei tentando lembrar em qual parque eu tinha feito um pedido pro Zoltar. Já tinha percebido isso faz tempo, mas é nítido que a vida não te prepara pra algumas coisas, talvez até devesse, mas não o faz. Não porque é injusta, mas porque, sinceramente, não merecemos. Seria muito fácil se, desde que garoto, você soubesse que magoaria pessoas, interferiria diretamente em suas vidas, se decepcionaria, se frustraria e um dia chegasse à conclusão de que metade do que você sonhava quando adolescente, ficou pra trás. Mas isso não é ruim, apenas é diferente do sonho juvenil. Confesso que as vezes sinto falta daquele garoto que não se preocupava tanto, apenas vivia, entre batucadas, gols e copos gelados de Coca-Cola. A gente cresce e logo aprende que a vida é a maior escola que temos. Sinto falta de ter que decidir apenas se ia à uma festa ou ao shopping, se iria pra escola com o tênis branco ou o preto, voltaria da escola andando ou de ônibus.
O tempo passa e aí você vê que tudo isso é minúsculo, comparado às escolhas que temos que fazer;  qual conta pagar antes? qual funcionário é o mais eficiente? qual é a melhor decisão para a empresa?
Na vida adulta, você dificilmente toma uma decisão que impacta apenas em sua vida. Sempre sobra pra mais alguém...sempre.
Nos últimos 3, 4 meses, o trabalho me encheu tanto de preocupações que acabei esquecendo algo muito importante: viver. Não fosse a San,o Pedro e raríssimos almoços com minha família e meus amigos, não teria visto filmes, ido ao cinema, jantado, espairecido, sofrido com o Palmeiras, sei lá, qualquer coisa que me fizesse esquecer de checar os emails corporativos.
Adoro meu trabalho, faço com gosto, sem reclamar, mas entre um problema e outro, as vezes me pego procurando aquele garoto que esperava, ansioso, os novos LP's do Tupac, do Notorious BIG, enfim, artistas que eu curtia com meus 15, 16 anos.
Pode até não fazer sentido, talvez nem faça, mas na verdade, as vezes dá vontade de tirar uns dias de folga dessa tal vida adulta.