quinta-feira, dezembro 13, 2012

Amém, Marcos e muito obrigado

Guardamos datas especiais no coração, ainda que a combinação de números não tenha lógica. 17/07/2010, 19/01/2012, 12/06/93, enfim, por algum motivo que só o coração explica, em certas datas somos transportados para momentos mágicos de nossa história. O ia 11/12/12 entrou pra minha história e, claro, para a história da "famiglia" que faço parte, como o dia da despedida do maior ídolo da história do Palmeiras; São Marcos de Palestra Itália.
Acompanhado do meu parceiro de arquibancada, meu pai, fui ao Pacaembu ver a despedida do maior goleiro que vi jogar. Não bastasse a emoção da despedida, rever jogadores que sempre farão parte da minha história foi algo mágico. Além de chorar ao lado do meu velho, pelo simples fato de ver Ademir da Guia jogar por 5 minutos, vi Velloso, Cafú, Antonio Carlos, Cléber, Roberto Carlos, Cesar Sampaio, Galeano, Alex, Paulo Nunes, Edmundo, Evair, Oseas, Euller e muitos outros, foi como entrar em uma máquina do tempo verde.
Porém, todos esses craques, somados a outros ótimos jogadores e o Craque Medida Certa, foram meros coadjuvantes na festa de Marcos.
Não esperava grandes defesas, embora elas tenham acontecido. Gol do Marcão? até parece! Aconteceu. Queria só me despedir de um torcedor que deu sorte, que teve a chance de vestir nossa camisa 12 e fez dela imortal. Ao vê-lo entrar em campo, já acusando as dores que nunca se foram, lembrei-me do goleiro cabeludo que substituiu Velloso em um domingo a tarde no Palestra. Eu estava lá e lembro-me de ter pensado "E esse Chitão aí, sem panca de goleiro..Deus nos abençoe"


E Deus nos abençoou! Aquele dia, Marcos pegou um pênalti  calou minha boca e deu início a mais bela trajetória que acompanhei em meus 33 anos de Palmeiras.
Os anos passaram, vieram as defesas, os títulos, as polêmicas, as crises, a série B, o Penta e ontem, tudo isso se resumiu em uma só expressão: "Amém, Marcos".
O goleiro se foi, o Santo foi canonizado. Os milhões de Palmeirenses que vibraram, torceram, choraram e sofreram, perderam a personificação de uma das frases mais emblemáticas do nosso hino "Defesa que ninguém passa"
E agora? Como será? 
Não importa. Continuaremos unidos, sempre na esperança de dias melhores. Ainda que o gigante continue adormecido, ainda que tenhamos que sofrer pelos erros dos dirigentes, com as gozações de adversários, não importa. Estaremos sempre juntos!
Somos a torcida que canta e vibra, o verde da esperança e, depois do dia 12/12/2012, somos Devotos de São Marcos


domingo, dezembro 09, 2012

True colors




Até o momento, 2012 foi um ano intenso, ao menos para mim. Vi tanta coisa, vivi tanta coisa, que estranhamente, não consigo listar, quanto menos escrever. Aliás, se teve uma coisa que eu não fiz este ano foi escrever. Só eu sei o quanto eu gosto, o quanto me faz bem. Está em mim, no meu sangue, na minha alma. Ainda que eu não tenha o vocabulário requintado de um imortal da ABL, do meu jeito, coloco as palavras compassadas com as batidas do meu coração. Poderia ter feito isso mais vezes, precisaria ter feito isso todos os dias...mas não deu. Não foi de todo ruim, além do meu sobrinho, outras coisas aconteram. Profissionalmente o ano foi bom, aprendi bastante, evoluí muito, mas e o resto?
O pouco tempo que tenho quando não estou trabalhando, uso pra dormir, descansar e cuidar da minha vida. Além do pouco tempo, estou passando por aquilo que chamam de bloqueio criativo. Talvez a falta de tempo seja o motivo da falta de criatividade. Vou escrever sobre o que? As horas que passo trabalhando? Quantas vezes eu viro na cama durante o sono? Não dá.
Já dizia o Capitão Nascimento, nosso super-herói brasileiro, "o sistema é foda". Ou você se vende e entra naquele esquema "Acorda-trampa-come-dorme" ou ele te engole. 
2012 voou e hoje, me dei conta como eu perco tempo com coisas idiotas, que nunca me levaram à parte alguma. 
Deus me deu um sobrinho lindo, que eu pouco vi. Uma família que eu não poderia ter deixado de lado, não esse ano. Não depois que minha avó se foi. Quantas vezes este ano meus tios me ligaram, me escreveram, me convidaram pra almoçar e eu nem sequer respondi? Várias.
Quantos finais de semana eu deixei de passar com meus pais na chácara, sentado no chão ao lado do Apollo? Quase todos
Quantas vezes deixei de partilhar coisas boas  e reclamei da vida até cansar? Muitas.
Meus amigos, quando precisaram de mim, não conseguiram me encontrar..E porque?
Porque o sistema é foda...Ele consome você como uma doença, daquelas que você percebe quando o tratamento é dolorido, doloroso...
O sistema levou embora minha característica mais marcante: a intensidade com que eu levava a vida. A sede de aproveitar tudo o que ela tem de bom; o amor, os amigos, a família, o fato de estar vivo, ter saúde. Eu já fui um cara obscuro, um filme em preto e branco. Também já fui uma daquelas telas de Van Gogh, com cores fortes, vibrantes. 
Em 2012, fui cinza. Algumas vezes, invisível. Não opinei, não argumentei, não apoiei, não censurei.
Este ano, fui apático, modorrento, distante...
Já tive anos muito melhores, muito piores, mas nenhum como este.
Ainda dá tempo de fazer algo, de lutar contra o sistema. Tempo de olhar pro que tenho de mais importante com a atenção que eu devo. Minha família, que costumava ter de mim toda a força e fé que sempre buscaram,  meus amigos, que são irmãos que a vida me deu, mas quando eu descuido, só fazem merda.
Se de fato acabar em 13 dias, o mundo deixaria em mim uma péssima última impressão. Mas digamos que ele ainda dure um pouco...2013 será conhecido como o ano em que eu lutei contra o sistema e venci. 
Pois nada é forte o bastante para me fazer esquecer quem eu sou.