sábado, setembro 14, 2013

1985 - o ano em que fazíamos contato




Acordei com o barulho insuportável do rádio relógio, tomei uma ducha, comi um pãozinho com a nova Claybom Cremosa que minha mãe comprou e fui pegar o ônibus. No walkman, como não aguento mais ouvir o George Michael cantar com aquele saxofone chato de fundo, comprei a fita nova do Queen, que logo estará aqui em um tal de Rock in Rio. Além das bandas gringas, tem umas bandas novas aqui do Brasil; Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho..que parece que vai ser chocante! 

Do meu lado sentou um coroa, lendo o JT, falando do Sarney, o tal presidente novo. Espero que o dia no trabalho passe voando, combinei uma cerveja com a turma, às 19h30, naquele botequim na Av. Paulista. Faz uma era que não nos vemos. Todos trabalhando com música e eu aqui, nessa de escritório. Mas é shock trabalhar com esse lance de editorial. Curto essa parada de criatividade, mesmo achando que o ambiente é meio moderninho. Ainda preciso dar um pulo na Mesbla pra comprar o presente do meu tio, o que é um saco, por que lá vive crowd. Quem sabe eu vá ao Mappim. Melhor não, essa semana tem a liquidação, o que torna aquele lugar um inferno. 
Tô anotando na caderneta o que eu quero fazer essa semana 

  1. Quero ver Goonies no cinema
  2. Comprar o disco novo do RPM (que eu não acho em canto nenhum) 
  3. Comprar o cartucho Super Mário Bros.

Pombas, preciso fazer uma poupança...Depois eu reclamo que não consigo comprar uma caranga. Aí não adianta ficar mals porque tá andando de bumba. 
Droga! Vou ter que saltar do ônibus, passar no banco, sacar o dinheiro do rango porque esqueci o talão do Ticket Restaurante no bolso da japona. Que deprê.
Ah, sábado tem baile e amanhã já vamos gravar as fitas. A seleção de lentas tá na minha responsa. Quero ver na hora que rolar um Bryan Adams ou a nova do Phil Collins. Os drinks serão ponche, Hi-Fi, Cuba Libre e Keep Cooler. Sucesso!
Já anotei aqui pra não esquecer de ligar pra turma e confirmar tudo isso. Se eu demorar muito, eles já terão saído do serviço e aí bau-bau, não dá pra avisar mais ninguém.
Podiam inventar alguma coisa que faça a gente conseguir dar um alô pra todo mundo, tipo um telefone sem fio, que não seja o da brincadeira. Imagina, hiperlegal, todo mundo se falando, mandando recado pelo computador.
Acho que isso ia deixar todo mundo tão próximo, todo mundo ia ficar sempre junto, sem perigo de rolar um distanciamento...Quem sabe um dia...





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