domingo, dezembro 29, 2013

O resgate de Duda

"Era tarde na cinza Porto Feliz City. As nuvens se agrupavam enquanto o vento soprava violentamente. Enquanto isso, uma carinhosa mãe sentiu falta de uma de suas filhas, Duda. Desespero, aflição, pânico. Onde estava esta criatura de apenas 3 anos, indefesa?
Lágrimas, outrora contidas, começavam a cair sincronizadas com a garoa fina. O medo foi tomando conta daquela família que já não conseguia pensar em outra coisa, a não ser no pior. Como seria o final de ano, o ano seguinte sem Duda?
Em meio a raios e trovoadas, surge uma silhueta grande, imponente, com sua voz potente e firme, dizendo:
- Calma, vou encontrá-la.
Montado em sua Bala de Prata, o herói parte rumo ao desconhecido, sem saber o que vai encontrar. Já são 3 horas sem notícias do paradeiro de Duda...o desânimo toma conta da família. Todos se juntam em orações e pedidos a quem quer que seja. 
Vendo esta cena, o herói se emociona e promete à mãe que trará seu rebento. E assim ele seguiu, sem pistas, contando apenas com a esperança.
Os minutos passavam voando, a chuva virou tempestade, o céu escuro indicava que a missão seria difícil.
Ele atravessou a correnteza, mata fechada, buracos e se viu frente aos mais perigosos animais silvestres e mesmo assim não desistiu. Sozinho, lutou contra raios, árvores caídas. O solo parecia puxar suas pernas para as profundezas, sugando-o para o inferno. Em seus últimos pensamentos, ele se lembrou do choro da mãe e reagiu.
Atravessou um matagal e, lá no fundo, avistou a pequena Duda, trêmula, molhada. Ao tentar se aproximar, foi atacado por ela, que não reconheceu nosso herói. Mesmo assim, ele a tomou em seus braços e a colocou no colo, embarcando em sua Bala de Prata. 
A família já orava pela alma da pequena Duda, quando, de repente, surge uma sombra no portão, grande, robusta, imponente. Quando a luz recaiu sobre ela, estava o herói, com Duda em seus braços.
A mãe, ainda em prantos, acolheu a pequena. A família correu em direção ao herói, festejando, lhe oferecendo presentes e a gratidão eterna.
Realizado, nosso herói virou-se para uma maravilhada multidão e disse, com toda a potência de sua voz: 
- O que para vocês será um dia inesquecível, para mim é apenas uma tarde de sábado. Se precisarem de mim, chamem por justiça. Eu virei.

Ele acenou para a família de Duda, que, a partir daquele momento, aprendeu que não importa o que aconteça, eles podem ter esperança.
A Bala de Prata sumiu em meio ao nevoeiro. Duda estava em casa, finalmente."

E foi mais ou menos assim que eu encontrei a cachorra da minha tia que sumiu em meio a um churrasco de família. Talvez eu tenha exagerado um pouco, mas tudo bem, o que fica é a mensagem.



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