quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Bem dormido 1, 2, 3...


"Caramba, preciso marcar o cardiologista. Já pensou se ele descobre que eu tenho uma doença incurável no coração e tenho que viver em uma bolha? E se eu for operar e acordar no céu? Ia ficar putasso, rebelde lá em cima. Escutar Padre Marcelo no último. Putz, eu detesto o Padre Marcelo...."
"Cachorro chato...late um minuto, para dois e volta a latir. Porque será que ele tá latindo? Porque ele não pode falar...Puta piada besta."
"Porra, tem um ovo da Le Ganache na minha geladeira. Mas eu vou levar pra Sandra! Será que percebe se eu abrir? Deixa, chocolate em demasia deve faz mal pro coração."

"Queria dormir logo....Hahahahha...lembrei do desenho do Pica-Pau com insônia, era foda. Tinha até um hotel perto daquela Farmácia Fornazari, na Freguesia, que parecia aquele hotel do desenho...Taty's Hotel, acho. Parece que era do avô de uma menina que estudava comigo. Que fim levou essa menina? Ela andava com uma mina que era linda, mas que agora tá gorda..Vai ver que de tanto comer chocolate..Se bem que eu era bem bonito na época da escola, arrebentava corações...Putz, e a porra do cardiologista? Viado, vai me matar na mesa. E se eu ficar acordado na anestesia, igual aquele cara do filme "Awake? É o cara que fez "Jumper". Que bosta de filme. Mas seria legal se desse pra aparecer em vários lugares. Nunca mais eu iria jantar no Top Center."

"Esse mês acaba dia 28 ou 29? Já pensou quem nasceu dia 29? Nunca faz aniversário...quer dizer, a cada 6 anos só. Então não tem nenhum velho que nasceu nesse dia. O Pancho acho que nasceu dia 29. Trabalhei 2 anos com o cara e nunca dei parabéns. E ele hein..que será que virou?"
"Puta cachorro chato, já tá latindo de novo....ah não, tem outro respondendo. Os dois poderiam ter um ataque cardíaco e calarem a boca de vez. Puta merda, o cardiologista!"

  "Foda-se, vou levantar..."












terça-feira, fevereiro 26, 2013

Parece, até que eu estava em campo...



Eu amo o que faço. Sério. Gerenciar pessoas, desenvolver talentos, resolver problemas e coordenar um departamento de extrema importância para uma das maiores empresas de e-commerce do mundo é uma responsabilidade enorme, do tamanho da alegria que eu tenho em ir trabalhar todos os dias. Claro, as vezes fico puto, tenho vontade de sumir, ir morar no mato, mas logo passa...

Mas muito tempo antes de ser esse cara aí de cima, eu era uma criança, muito feliz. Cercado por uma família ótima, pais e uma irmã que eram e são a razão da minha vida. Hoje, conversando com meus pais após chegar em casa cansado da correria dessa segunda, lembramos da parte da minha infância que eu mais tenho saudade: os jogos do Palmeiras. Desde que me entendo por gente, ouvia os jogos com meu pai na Jovem Pan, na voz de José Silvério e depois ouvia o Terceiro Tempo, com o mala do Milton Neves e isso marcou minha vida em vários aspectos, inclusive, me fez fazer a faculdade de jornalismo. Se me perguntarem se tenho uma frustração na vida, digo que sim, ainda tenho. Não tive a chance de trabalhar com esportes, exceto um ou outro freela. Trabalhar no rádio esportivo é o sonho da minha vida. Sempre que posso estou ligado, ouvindo os programas que eu ouvia com meu pai, meu avô, em uma época mágica, em que minha preocupação era apenas uma: fazer a lição de casa. Ontem estava no carro, ouvindo o Terceiro Tempo e ouvi uma das vinhetas da época, no meio da década de 80. De repente fui levado até a cozinha do meu avô, onde ouvíamos os jogos enquanto tomávamos café, em silêncio, a não ser nas chances desperdiçadas, nos gols de Mirandinha, Éder, Edmar, Edu Manga e outros jogadores daquela época. À medida que a chuva apertou, meu coração foi se enchendo de saudade, até que explodi em lágrimas, lembrando daquela época inesquecível, daqueles domingos em Ribeirão Pires, das noites ao lado do rádio verde. Como diz um trecho dessa vinheta: "...parece, até que eu estava em campo"