sexta-feira, agosto 08, 2014

Meu laiá laiá


Uma das coisas mais legais de crescer na periferia é ter contato com o samba desde muito cedo. Era impossível não ouvir os vizinhos tocando nas vitrolas e nos tape-decks (sim, eu sou dessa época) músicas de Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal, Originais do Samba, Beth Carvalho entre outros artistas que eram conhecidos apenas nas rádios e TVs de porte médio. Naquela época, nem o Chacrinha costumava levar sambistas no programa. E olha que ele levava o João Kléber.

Dos pagodinhos na calçada, fui parar nos palcos, meio sem querer e vivi assim por quase 10 anos. Conheci gente incrível, artistas de verdade, de mentira, lugares, sensações, enfim. Foi uma época de sonhos pra um cara que adorava sentar com a molecada pra batucar nos baldes e galões d’água. Essa semana, depois de anos sem ouvir um sambinha sequer, ouvi as coisas da minha época de garoto e me lembrei de tanta coisa boa. Desde os discos do Raça Negra que meu tio tinha em casa até os CDs do Sambô, grupo que eu vi nascer.















A música tem um poder incrível de nos levar a qualquer lugar do mundo, no passado, presente e, porque não, no futuro, mesmo que a gente fique sentado durante horas na mesma cadeira. Tem uma música, que nem fez tanto sucesso assim, mas que me leva a um lugar especial. Lembro do dia que estávamos pintando o apartamento novo da minha avó. Um sábado quente demais. Tirei o toca-discos do meu tio da caixa e o único disco que consegui pegar naquela bagunça era o dessa música aí de cima. Grupo Família & Cia.

Provavelmente, em breve voltarei a ouvir Beach Boys, Temptations, Vince Guaraldi, George Winston entre outras velharias que adoro. Mas nada me soa tão familiar quanto o samba e o seu laiá laiá. 


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