domingo, dezembro 07, 2014

A bola

Pra mim, o futebol é mais que um simples esporte. Não que eu tenha uma definição pra ele. Não, não tenho. Talvez por isso ele seja tão mágico, por não ter classificação ou adjetivação ideal para mim. As primeiras lembranças que tenho desses quase 35 anos (faltam exatos 20 dias) me colocam na cozinha de casa, ao lado de um rádio verde, que por sinal eu aprendi a odiar assim que comecei a ir à escola, pois era ele que despertava com a música da Jovem Pan. Mas foi nele que ouvia os jogos com meu pai. Leão, Vágner, Caçapa, Edu, Jorginho, Mirandinha, Éder, foram os nomes a ecoar nas paredes de casa pela voz de José Silvério. Depois dos jogos, ia dormir ouvindo Milton Neves e o Terceiro Tempo.
Desde meu primeiro jogo ao vivo, naquele 10 de setembro de 1986, já vivi de tudo no estádio. Alegrias, tristezas, decepções. Já vi golaços, frangos, craques, cabeças-de-bagre, milagres e dei muita risada. Quase sempre ao lado do meu pai. 
E talvez aí a chave de tanta paixão pelo Palmeiras, pelo futebol. Sempre fomos aos jogos juntos. Algumas vezes, estávamos brigados, mas a arquibancada era a bandeira branca. Outras vezes, ia sozinho. Nessas vezes, chegava bem cedo, pensava na vida, refletia, sonhava, mal prestava atenção no jogo. Nem lembro quantas vezes ia naquele lugar lotado para me isolar do mundo. Vai entender.
Este ano, que foi o mais difícil da minha nada mole vida, fui a 21 jogos. Não me lembro de ter ido tanto ao estádio. Também não me lembro de ter visto o Palmeiras perder tanto. E antes que digam que sou pé frio, saibam que este time é o pior da história alviverde. Mas mesmo assim, hoje, as 17h estarei lá. Torcendo contra o terceiro e mais humilhante resultado da história: o rebaixamento no ano do centenário. Usarei de todas as superstições que carreguei de 1986 a 2008, e que nos últimos anos deixei de lado por que parei de acreditar em algumas superstições. Hoje é dia de voltar a não ir ao jogo com a camisa do Palmeiras, de fazer a barba antes de sair de casa, de não usar óculos, entre outras coisas. Pode ser besteira, mas e daí? Como uma vez ouvi por ai, o futebol é a coisa mais importante das menos importantes.
Mas neste ano tão difícil, o que me resta hoje é torcer por uma vitória tranquila, sem sustos. Para que 2015 seja melhor, para o Palmeiras, para mim. Logo eu, que comecei este ano tão cheio de esperança e hoje apenas torço para que ele acabe, assim como este campeonato. Espero que hoje, as 20h, eu esteja deitado no colo da minha namorada, contando os detalhes da vitória, e ela, com toda paciência que lhe é peculiar, ouça e sorria, como sempre faz.
Que 2015 carregue o verde da esperança, do Palmeiras, do meu coração.
E se tudo der errado, que a gente levante e continue na luta. 
Porque o futebol é muito mais parecido com a vida do que se imagina.


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