quarta-feira, abril 16, 2014

Fé...






Há 34 anos eu falo com Deus todos os dias. Não vou à igreja, não sigo nenhuma doutrina, não tenho nenhum costume religioso. Fui criado em uma família muito católica, em um colégio católico, mas nenhuma religião foi tão importante quanto a fé que eu tenho em Deus. Sempre conversamos numa boa, nunca precisamos de intermediários. Só nós dois.
Já fiquei bravo com ele, confesso. Mas Ele também já deve ter se perguntado "onde foi que eu errei?". Já fiz muita merda, coisas que só Ele sabe. E sempre estivemos juntos, ainda que eu não goste de falar muito sobre isso. 
Abril tem sido um mês pesado, muita coisa dolorida aconteceu. A maioria delas eu escrevi aqui. Outras, não consegui escrever. 
Todos os dias procurei a ajuda Dele. 
Sábado, quando ainda pensava no Rico, recebi mais uma notícia triste, daquelas que doem na alma. Senti a dor de um amigo, que perdera uma pessoa especial. Quando consegui dormir, o sol já tinha acordado. 
Falei com Deus de novo, mas eu precisava de mais.
No final da noite, ainda angustiado e obviamente cansado pelas poucas horas de sono, fui convidado pela minha segunda família a fazer uma oração. 
Eu, que nunca consegui me conectar com Deus sem que estivesse sozinho, confesso, estava com medo de não conseguir novamente. De me distrair com as pessoas ao redor, como sempre foi. Mas eu queria tentar. Eu precisava tentar.
Já de joelhos, ouvia as palavras do meu sogro, que fazia suas preces. No início, aquele medo de não me conectar parecia se tornar real. Sentia dores nos joelhos, ouvia os carros na rua, a respiração do cachorro. Aos poucos, tudo isso foi sumindo. Não vou descrever o que aconteceu depois. Algumas experiências só fazem sentido em nosso coração, em nossa alma. E seja ela qual for, deve ser respeitada.
Não sei se minhas convicções irão mudar, se vou passar a seguir alguma religião, ir à igreja. Hoje, só posso garantir o seguinte:
Há 34 anos, eu falo com Deus todos os dias. Não vou à igreja, não sigo mais nenhuma doutrina, não tenho nenhum costume religioso. 
Domingo, Deus falou comigo de um jeito diferente. 



sexta-feira, abril 11, 2014

Até a próxima, Rico.




Nos encontros e desencontros da vida, conheci meu primo Ricardo. O Rico. Filho do irmão da minha vó, ele era o primo mais velho que eu tinha. Quando passei a me entender por gente, ele já dirigia, já saia para as discotecas boates (sim, em 1988 ninguém sabia o que era balada. Aliás a música deste post eu lembro de ter ouvido pela primeira vez enquanto ele lavava o carro na calçada) e eu era aquele moleque chato que falava de futebol e que os mais velhos não davam audiência. Fui crescendo e a distância entre nós foi aumentando. Foi chegando a minha vez de ir às baladas (agora sim!) e, depois do Reveillon de 2000 e um pagode que ele foi sem saber que eu tocava, nos vimos em dois tipos de ocasião; em velórios ou no Fran's Café da Voluntários. 
Sempre que ia lá com a Thaís, surgia um gol branco e um gordinho de olhos verdes me sorria: "porra, primo! De novo?!"
Foram várias vezes, mas infelizmente, também em vários velórios. O último foi o da minha avó, em 2012. Conversamos bastante de coisas sérias, até que ele, que não perdia uma piada, disse sorrindo:
 - Caramba, nos vemos em velórios ou tomando um cafézinho. Caralho! Onde será o próximo encontro.
O Rico se foi nessa madrugada. O bom coração não aguentou o colesterol ruim. Ele só tinha 45 anos.
Nunca combinamos de nos encontrar, sempre deixamos por conta do acaso. E assim vai ser. Não vou me despedir de você, porque não teria graça sabendo onde você está.
Me espere para um café, mas sem pressa. Hoje, farei um pra nós.
Até a próxima, Rico.


quinta-feira, abril 10, 2014

Formandos de..




"Como é bom rir assim!". Esta foi a frase que ouvi ainda no portão da casa das meninas, no Point do Mickey II, casa da Carol e da Taty. Não nos encontrávamos há uns 8 meses. Mas desta vez era diferente, além das anfitriãs, a Cynthia e eu, diretamente de Brisbane, o Thiago, pra nós, o Kabrito.
A amizade é mesmo uma coisa impressionante; reencontrar alguém que você ama, que fez parte da sua vida, a sensação é de que passaram-se apenas algumas horas desde o último abraço. 
Lembramos dos tempos da faculdade, das histórias do fundo da sala, das pessoas que se formaram conosco e não tivemos notícias, das que passaram um semestre na faculdade, do cara que ninguém sabia o nome, do professor xarope, do tio da pizza. Já são 8 anos desde a formatura, mas, de um jeito ou de outro, sempre estivemos juntos. Em cada foto velha, em cada música da época, em cada história, triste ou engraçada, estávamos lá, em pensamento, no Point do Mickey, como era conhecida a casa da Carol.
Passaram-se anos, empregos ruins, namorados babacas, trocamos de carro, de casa, de país, mas estávamos sempre juntos.
Tiramos fotos, comparamos com as antigas, demos risada. Nem a Vanis, lá da Austrália, ficou de fora. Graças ao Whatsapp, ouvimos a voz dela, emocionada, tão longe, mas tão pertinho de nós.
Enquanto a Cynthia preparava o celular pra tirar uma foto, vi ali, naquela telinha, aqueles 5 estudantes de jornalismo que queriam mudar o mundo, cheios de sonhos, esperança, coisas que o tempo todos os dias tenta roubar de nós. Pode até ser que a gente não tenha chegado onde queria, ainda.
Mas nada tira de nós a eterna vontade de estarmos juntos, em casa, no point do Mickey.


segunda-feira, abril 07, 2014

Akeem!



Há um ano a Taty me disse que uma amiga, a Andrea, tinha encontrado um filhote que fora amarrado em uma árvore com um fio de arame, chutado, tinha o pelo coberto por chicletes de crianças maldosas. Eu, que naquela época sofria de uma solidão crônica, resolvi acolher uma miniatura de cachorro, pois já que eu não podia fazer dos meus dias melhores, ajudaria alguém a ter uma vida digna, ainda que não parecesse difícil, na situação que ele estava. Ele chegou em uma época bem foda da minha vida, quando eu vivia em um loop infinito. Quando fui buscá-lo, ele não me deu muita bola. Olhou pra mim como se dissesse, "ah, agora é sua vez de passar alguns dias comigo?Ok." Ficou no banco do passageiro nos primeiros minutos, mal olhava pra mim, talvez por ter sido vacinado horas antes, ou por não ter ido com a minha cara. Tentei chamá-lo pelo nome que as meninas deram pra ele, Pingo...Nada..Então, já que ele não atendia, tentei pelo nome que eu decidi dar a ele: Akeem. 
Sim, o príncipe de Zamunda, personagem de Eddie Murphy em "Um Príncipe em Nova York". 
Ele olhou, talvez como se penssasse "Eddie Murphy? Jura? Tem tantos caras mais na moda! Ne-yo, Justin, sei lá!" (para constar, para mim ele tem a voz daquele maluco do TV Colosso, o Gilmar. Alguém lembra? Não? ok)
Eu ri, e ele veio cambaleando até meu colo e assim fomos pra casa, ouvindo Temptations. Chegamos, ele comeu um pouco, e dormiu no pé da minha cama em um tapetinho. 


Horas depois, sabe-se lá como, ele estava puxando meu cabelo com os dentes, pulando feito doido. E aí, as coisas nunca mais foram as mesmas. Ele foi crescendo, como o amor entre nós, rápido, intenso e cheio de alegria. Com algumas diferenças, como, tênis comidos, lixo revirado, um buraco no sofá e as revistas que tive que cancelar pela ânsia dele em devorá-las. Não passo tanto tempo como ele como gostaria, mas quando me sento ao lado dele na escada, após passar pela bateria de lambidas e empurrões, converso com ele um tempão. Mesmo que as vezes a conversa seja interrompida por uma corrida até o portão para latir para o Scooby, cachorro do vizinho ou para um motoqueiro, passamos bons momentos naquela escada. Nessas horas, vejo que somos perfeitos um pro outro. Hoje ele é um cachorro feliz, saudável, alegre e muito carinhoso, diferente do cachorro assustado, que não podia ser tocado no pescoço que começava a chorar. Eu também sou um cara mais feliz, muito por causa dele. Que além de companheiro, depois de alguns minutos de conversa ao pé da orelha, faz poses legais para minhas fotos. 
Só posso torcer e fazer o possível para que o reinado do príncipe Akeem, meu amigo, dure longos anos. 



domingo, abril 06, 2014

Aproveite enquanto dá





Foi uma semana esquisita. Assombrada. Desde semana passada, com notícia do assassinato do Daniel, meu ex-colega de Groupon, comecei a pensar sobre a vida, a morte. Os dias passaram, o Tio Fábio se foi, o Fant se foi e o José Wilker também. De repente. 
É incrível esse negócio de você estar com uma pessoa em um dia e no outro ela não estar mais aqui. Acho que Deus poderia inventar uma forma mais fácil de encararmos isso. Quem vai, poderia dar uma volta olímpica, uma despedida, uma última viagem, não sei. 
Quando alguém morre assim, de repente, eu penso muito no que estou fazendo com a minha vida. Se eu estou fazendo tudo o que podia, se eu estou valorizando esse tempo que tenho aqui. Eu tenho uma definição de vida. Acho que ela é o espaço que temos entre o nascimento e a morte para encontrarmos a felicidade. Viver bem, amar muito, estar com as pessoas que fazem questão de estar comigo, ser produtivo e realizar os poucos sonhos que tenho. Só isso que eu quero. Mas acho que é o que todo mundo quer.
Enquanto vou tentando chegar lá, vou aprendendo muito, amadurecendo, gostando mais de mim, ao ponto de me achar um cara legal. Nada mal pra quem, há pouco tempo atrás, se considerava "um péssimo ser humano". 
As coisas mudam...
Bom, eu adoraria ficar aqui escrevendo minhas teorias sobre a vida e a morte, mas hoje é domingo, o sol tá lindo e tem gente me esperando pra almoçar. Vou nessa
E que a semana seja mais leve. 

Vamos aproveitar essa chance única que temos de fazer história, de espalhar a felicidade para o mundo mesmo antes dela chegar até nós.

Essa eu vi no biscoito chinês que comi ontem. 




sábado, abril 05, 2014

#MelhorDia




Hoje eu vou dormir com o som da sua risada. É melodia mais bonita que já ouvi e hoje, a ouvi bastante. Desde a hora que te encontrei, linda, com sua cara e jeito de menina e olhinhos apertados. Te deixei esperando por vinte minutos, graças ao trânsito. Bom, mas eu esperei por você durante 33 anos. 
É muito tempo. Ou não, se comparado ao tempo que eu pretendo passar ao seu lado. Em uma semana tão difícil, você tornou tudo mais fácil. Acordar com seu bom dia e dormir com seu boa noite, me dá forças pra seguir nessa caminhada. Neste exato momento, você cochilou no sofá. Tão linda, tão pequena. Há 6 meses, eu não acreditava em mim, no amor e na felicidade. Mas então chegou você, com seu jeito delicado. Aos poucos você tomou conta de mim, dos meus dias, do meu coração. Aquele medo não existe mais. 
Você me faz querer controlar o tempo, fazer com que o futuro chegue logo. Ao mesmo tempo, o presente nunca foi tão presente pra mim, então, pra que correr? 
Somos tão iguais, mesmo sendo totalmente diferentes. Coisas simples se tornam inesquecíveis. Nosso amor é preto e branco e colorido ao mesmo tempo. 
Hoje, quando eu olho no espelho, com meus óculos engraçados e cabelos grisalhos, me resta rir e agradecer por ser tão feliz ao seu lado, por você me trazer a paz que eu preciso, para resolver grandes problemas, ou para coisas simples, como voltar a escrever. Ah, obrigado também por você ser a Tia da Júlia, que até apareceu na retrospectiva e pelo Gabriel gostar mais de você do que de mim (ainda não engoli o "Tia, vem brincar comigo")
Bom, já que você acordou, sua mãe não respondeu minha mensagem, vou te levar em casa. Rindo, assim como eu to rindo agora, enquanto você pergunta o que eu to fazendo e gargalha ao ver o comercial da Neutrox com a Flávia Alessandra. Curiosa, você não aguentou esperar e está aqui, me enchendo de beijos enquanto eu tento terminar este texto, que eu escrevi pra registrar este dia incrivelmente simples e inesquecível, que está acabando, depois de um fornoíche, açaí, ver cachorrinhos, ver a Salma Hayek o Adam Sandler, ouvir One Direction, New Kids, Jackson 5 e 5 Michael Keatons com a Andie McDowell, tudo isso com o temperinho do China in Box.
Bom, vou te levar pra casa, sua mãe não respondeu a mensagem, então não podemos nos casar hoje.
Quem sabe semana que vem.
Obrigado por mudar a "história da minha vida". Amo você....amo mais.




Zúia



Há um ano eu me apaixonei perdidamente por uma menina 33 anos mais nova do que eu. Podem me julgar o quanto quiserem. Assim que coloquei meus olhos sobre ela, percebi que era pra sempre. Aquela garotinha ia mudar minha vida de uma forma que eu jamais imaginaria, me faria rever conceitos e entender muita coisa. Ontem ela fez um ano. E eu percebi que a amo mais do que no dia em que nos vimos a primeira vez.
A Júlia é doce, carinhosa, sorridente, feliz. Sim, ela é uma criança feliz. Não tanto quanto nós, que temos a chance de vê-la crescer e todos os dias aprender uma coisa nova. Como eu, aprendi ao longo desse ano que você consegue sim, amar duas pessoas na mesma intensidade, incondicionalmente, ao ponto de, nem pensar, se necessário for, em trocar sua vida pela deles. 
Mas não dá pra ignorar o fato de ter uma menina em casa. A mãe da Júlia e eu temos 2 anos de diferença, o que nos fez crescer muito unidos, apesar das briguinhas. Toda bronca era mais pesada em mim, o tapa era mais forte, o castigo era mais longo e o quarto mais legal também era o dela, entre outros privilégios que a Fernanda teve (ainda tem, vocês precisam ver!) pelo fato de ser menina. Eu nunca entendia isso. Quando era moleque, bradava, após tomar uns tapões (e minha irmã uns tapinhas) que "quando eu tivesse filhos, trataria os dois igualmente".
Porra nenhuma, a menina vai ter todos os privilégios.
Ontem, na festinha, fiquei reparando nela, sorrindo, feliz. Ela ainda não fala, mas se falasse, certamente diria aos pais: "vocês são demais, minha festa está muito legal, cheia de gente e muito divertida. Foda foi tocar Lepo Lepo depois do parabéns, mas aí é culpa do Buffet. Obrigado!"
Ter sobrinhos dá uma noção de como você será como pai. Se depender do amor que eu sinto por eles, acho que não haverá um pai melhor que eu. 
Se eu tiver uma menina então...xiii





sexta-feira, abril 04, 2014

Em nome do Pai





Cheguei no escritório, peguei minha água, meu café e liguei o computador. Meu telefone tocou e eu já esbravejei por dentro "caralho, já?". Era a Andréa. Aliás, não soava como ela. Uma voz trêmula, irreconhecível, murmurou. "oi, é rápido. O pai do Alê faleceu. Depois te aviso os horários. Beijo."
Só consegui dizer um "tá".
Queria ligar pro Xuxa, não consegui. Não conseguia imaginar algo pra dizer. Não conseguia pensar. Mandei uma mensagem desconexa, que certamente ele não conseguirá entender. Mas, afinal, o que ele irá entender agora? Como entender que seu pai teve uma morte repentina aos cinquenta e poucos anos. Eu não entendo.
Trabalhei o dia todo mal, pensando nele, na Tia Leo, na Camila. Não lembro de vê-los sem um sorriso no rosto. E o Xuxa, tão garoto, como ia fazer? 
Horas depois saí do trabalho, chorei, respirei fundo e liguei. Falamos pouco, não consegui falar muito, parecia que me faltava o ar. A única coisa que me lembro de ter dito a ele foi "seja forte, mas não hoje, nem amanhã. Não agora. Seja forte no seu tempo."
Desliguei e lembrei que meu pai não estaria em casa hoje. Do carro, liguei pra ele e comecei a chorar feito criança, antes que ele atendesse. Quando ele atendeu, consegui falar apenas que queria só que ele soubesse o quanto eu o amo. Ele respondeu, com a calma de sempre. "Eu sei, filho. Você me demostra isso todos os dias."
Parei de chorar, conversamos um pouco, falei do Xuxa e ouvi o mesmo conselho que ouvira em situações como estas. "Não será hoje que ele vai precisar de você. Sabe disso, né?"
Dessa vez eu sabia. O bom de envelhecer é que você aprende a ouvir as pessoas que geralmente estão certas.
Desligamos e eu segui meu caminho até em casa pensando no Xuxa, no Tio Fábio, no meu pai, na vida. 
Ninguém está preparado para a morte. Ninguém. Quando alguém vai embora assim, de repente, a gente começa a pensar se somos bons o suficiente para quem amamos. Ouvir aquilo do meu pai acalmou minha alma, mesmo achando que eu sempre posso mais. Que eu preciso poder mais. 
Entrei em casa, vi minha mãe e ouvi um barulho na cozinha. Olhei para a mesa da sala, vi a carteira do meu pai. Sorri. O abraço que eu precisava dar desde que a Andréa me ligou estava me esperando.
Porque a vida também tem surpresas boas.

 

terça-feira, abril 01, 2014

Feliz primeiro de abril


Aviso: este texto não vai encher você de esperança ou fazer você acreditar no amor. 




Fui jantar e, ao lado da mesa onde estava, observei um casal que se abraçava. A mulher, apaixonada, servia o homem, que aparentava seus 50 anos. Ela, jovem, com as unhas bem-feitas e mãos bonitas. Ele, visivelmente desconfortável, com a mão direita acariciava as coxas da jovem. Na outra uma brilhante aliança dourada. Pois é, Feliz dia da Mentira. 
Não muito tempo atrás, fui ver "O Lado Bom da Vida". No meio do filme, uma mensagem de um tal Marcelo, endereçada ao celular ao lado, dizia "não vou conseguir te encontrar hoje". E a partir deste dia, minha vida nunca mais foi a mesma. Primeiro, perdi o chão. Depois, fui perdendo outras coisas. 
Um dia resolvi me olhar no espelho. Olhei, durante bons 30 minutos. Pensei em tudo o que eu tinha fingido não ver. Mentiras, desculpas, negativas, críticas e humilhações. Aí foi mais fácil me livrar do único relacionamento que tive na vida do qual tenho extrema vergonha de lembrar. 
Para alguns, isso pode soar como recalque (palavra da moda) ou qualquer outro sentimento parecido. Mas só eu sei como é ter que lidar com a vergonha do passado e o medo do futuro. Hoje eu desfruto dos meus dias com uma paz que nunca tive, ao lado de alguém que só me traz boas vibrações. Mesmo assim luto diariamente contra essas lembranças que vêm à mente a cada vez que eu vejo uma situação parecida, como este casal ao meu lado.
Nessas horas, me coloco no lugar da esposa do cara. Penso no que ela estaria fazendo, ou o que ele teria dito a ela enquanto se encontrava com a jovem. Excesso de trabalho, cinema com as amigas, médico...Quem sabe.

Não sei se vou me sentir melhor ao escrever isso. Mas eu escrevia tanto aqui sobre este relacionamento quando acreditava que ele era de verdade. Ao contrário desses textos, esse não vou precisar apagar.

Nada pessoal...