terça-feira, maio 27, 2014

Deu certo?



Dentre as milhões de esquisitices que eu carrego comigo, não experimentar roupas é uma das maiores. Aí nego pensa: "isso é coisa de gordo". Nada a ver. Mesmo porque gordo só precisa pedir o tamanho máximo e isso vem do tempo que eu pesava 90kg bem distribuídos em 1.91cm.
Apesar de muita gente não acreditar, eu sou terrivelmente tímido, característica que me impede de pedir pizza no telefone. 
Mas voltemos ao negócio das roupas. Não sei bem o motivo, mas talvez seja o fato de eu ter pena de fazer o vendedor pegar um monte de coisa e as vezes não levar nada. Fico com medo de passar a ser vítima de alguma maldição da parte deles.
Além disso odeio aquelas situações em que você entra no provador, muitas vezes pequeno para o meu tamanho e ouve aquelas perguntas enquanto está seminu:
- Como você chama?
- Ficou bom?
- Deu certo?
A última vez em que fui obrigado a experimentar uma roupa, passei uma das situações mais embaraçosas da minha vida. Fui na Black Tie, na avenida Rebouças, uma das mais conceituadas de São Paulo. Entrei no provador minúsculo, tirei as roupas, pendurei naquele gancho onde apenas meias podem ser penduradas e comecei a me vestir; camisa, paleto, a perna direita da calça e, ao levantar a esquerda, perdi o equilíbrio e como um saci albino fui pulando com uma perna só para não cair. Acabei saindo do provador diretamente para a sala onde a família do noivo aguardava.
Como já não me restava dignidade alguma, apoiei no vendedor, vesti a calça e falei: "ficou bom".
Sempre tenho um personagem quando saio para comprar roupas. Sou um cara legal que sempre vai comprar roupas para o irmão mais novo. Na última vez, até minha mãe estava junto, inconformada com minha atuação e se sentindo mãe de mais um garoto. 
Sim, eu sempre conto a mesma história, mas nunca vou à mesma loja.
Porque?
Eu me chamo Leonardo, tenho 34 anos e não experimento roupas. Julguem à vontade.


terça-feira, maio 20, 2014

Gestão-Leo@tempolivre.com.br




Desde que deixei o Groupon, há quase uma semana, a maior dificuldade é arrumar o que fazer. Sim, quando eu saí disse a todos que me permitiria descansar até depois da Copa do Mundo. 
Mas gerenciar o tempo é mais difícil do que gerenciar qualquer coisa.
Tá foda, é muito ruim ficar sem fazer nada. A hora não passa. É tipo uma música do Legião, regravada pelo Roberto Carlos. Insuportável.
No dia que fui demitido, me despedi da empresa inteira (obrigado pelo carinho de todos, a propósito) e cheguei em casa às 16h. Cheguei, falei com a minha mãe, comi, atualizei meu currículo joguei Fifa, li um livro e olhei no relógio. 16h44.
Puta que pariu! Gastei tudo no primeiro dia. Cortei o cabelo, levei o carro na revisão, mandei lavá-lo. E agora? 
Mas o pior é que eu tenho um monte de coisas para fazer, coisas que eu poderia ter feito nas férias e não fiz. Na verdade eu sei quando vou fazer; um dia antes de começar a trabalhar.
Enquanto isso, vou aprendendo várias músicas com a minha vizinha. Pablo do Arrocha, SPC, Sorriso Maroto, Jorge & Mateus. Hoje mesmo acordei cantando essa música que tá ali em cima. E aprendi vários palavrões também. 
Caso eu consiga manter esse projeto de descansar durante a Copa, vou estabelecer algumas metas como:


  1. Zerar Batman Origins sem morrer
  2. Ser campeão do Fifa WC 2014 com a Argélia
  3. Fazer temakis
  4. Organizar meus mais de 300 DVD em alguma ordem
  5. Ensinar meus sobrinhos a dançar o Lepo Lepo

Não será fácil, mas eu vou me esforçar. Não quero moleza



segunda-feira, maio 19, 2014

Currículo Vital - 2015 edition


Leonardo Pollisson. 35 anos
Brasileiro
leopollisson@gmail.com




Resumo

  • Assim como o Robson, criador deste ousado modelo de currículo, escrevo o que você quiser e da forma que preferir
  • Estou melhorando minha alimentação, portanto, não infestarei a copa com cheiro de pipoca, feijoada, carne de panela e lasanha da Sadia
  • Bebo muito café, mas estou diminuindo por recomendação médica. Energéticos também estão fora da lista
  • Parei de fumar (Por isso ainda estou pensando se vou diminuir o café)
  • Tenho uma lista de saudações para animar os colegas que odeiam acordar cedo, como; "Bom dia, crianças","Como vão, jovens", "Olar" e "Olá, amiguinhos". Existem as sazonais, como quando o Bon Jovi veio fazer show aqui (tudo bon, Jovi?)
  • Faço ótimas piadas no ambiente de trabalho (c/c Flávia
  • Sempre peço aos amigos que viajam até Buenos Aires um alfajor da marca Jorgito. É o mais gostoso e o mais barato
  • Não uso expressões corporativas como; "alinhar", "dirimir", "inputs" e "outputs".
  • Não intercalo palavras de idiomas diferentes na mesma frase. Ex: o filme é meio whatever. 
  • Não faço questão de tirar férias ou folga em dezembro, até prefiro trabalhar, principalmente no dia do Especial do Roberto Carlos

Formação

  • Óssea, ok.
  • Aprendi a ler sozinho, as primeiras palavra que falei foram "Banco Haspa". Meus pais se animaram, achando que eu ficaria rico por me interessar por um banco. Na verdade, se eles percebessem que não é assim que se escreve "aspa", iriam saber que seria jornalista.
  • Não sei jogar truco, sinuca, xadrez, ludo, dama, nada que me faça ficar em uma mesa por horas.
  • Sou Palmeirense doente, vou ao estádio desde 1986
  • Não compartilho fotos de crianças doentes, animais sem cara e fotos religiosas no Facebook, tampouco convites para jogos. 
  • Não entendo nada de carros. Só dirijo.
  • Primeiro contato físico com uma garota aos 11 anos
  • Tive uma senhora crise dos 30. Agia como se tivesse 18. Passou
  • Toquei samba durante 12 anos. Hoje não consigo nem ouvir
  • John Lennon salvou minha vida quando tinha 29
  • Não gosto de Roberto Carlos, Renato Russo, Cazuza e Sertanejo Universitário
Experiência
  • Tenho ótimas histórias de namoros fracassados, amizades de merda e jogos do Palmeiras
  • Já arranquei um dente com as mãos por ter medo de dentista. 
  • Era magro até os 27, o que dificulta estar acima do peso. Ainda penso como magro quando vou passar por lugares estreitos. O resultado é ridículo
  • Fui office-boy, ganhando R$ 220 em uma época que o McDonalds era R$ 4,50. Sei economizar
  • Já derrubei o portão de um motel com o carro
  • Imito o Sílvio Santos, o Lula, a Marília Gabriela e mais uns anônimos
  • Sou um ótimo tio. 

Pretensão salarial

  • Mesmo merecendo muito dinheiro, me contento com um salário que me proporcione um padrão justo de vida. Roupas, gasolina, cinema, teatro e viajar. 

Atividades Extracurriculares

  • Fui capitão do time da escola por dois anos consecutivos na Taça Freguesia do Ó
  • Manjo muito de Fifa 
  • Pareço uma menina de 7 anos quando assusto
  • Assisti X-Men 3 no cinema entrando escondido na sala
  • Passei cola na TV quando era pequeno e tomei um safanão inesquecível
  • Ensinei meus cachorros a sentar, deitar e dar a pata. 
  • Já me vesti de papai noel para uma tribo indígena e para meus primos
  • Já comprei Big-Macs em dia de Mc Lanche feliz para distribuir. Não gosto de Mc Donalds.

Conhecimentos e Softwares

  • Sei todas as falas de Friends
  • Assisto Animal Planet, principalmente "O Adestrador de Cães" e "Meu Gato Endiabrado"
  • Faço um ótimo lanche de pernil com as sobras da ceia de Ano Novo
  • Sei todos os episódios de Peppa Pig e Meu Amigãozão
  • Fiz um curso de informática na escola, mas não aprendi muito. O professor mandava a gente desenhar no Paint e ia pegar as meninas no estacionamento. Pensando bem, talvez tenha aprendido um pouco

quarta-feira, maio 14, 2014

O Dia G

Hoje eu morri um pouquinho, ou melhor, parte de mim morreu. A partir de hoje, eu não sou mais o Léo do Editorial, ou o Léo Pollisson do Groupon. Sou o Léo, o caipira, o Brasilândia, o Palmeirense. Sou feliz por tudo o que plantei e tudo o que colhi no Groupon. Vi muita gente boa ficar ótima e muita gente ótima ficar péssima. Mas a vida é assim mesmo. Ontem, depois de uma crise de estresse, ansiedade, pensei que era hora de ir.
Hoje eu vou embora, mas muito de mim fica lá naquela sala. E muito dela vem junto comigo. Eu não sei como será daqui pra frente. Mas não tenho medo. Todos os dias me propus ir até lá e colocar meu sangue à disposição e fiz isso muito bem. A única coisa que eu queria fazer e fiz com certeza foi deixar meus pais e minha família orgulhosa. 
Sendo assim, além da saudade vou embora com a sensação de dever cumprido. E logo menos estou de volta ao mercado. 
Enquanto isso, vou fazendo as duas coisas que eu sei fazer de melhor; escrever e espalhar alegria.
Aos que ficaram, façam o seu melhor. Sempre vale a pena!




E foi assim que tudo acabou

"Acabou. Depois de 3 anos e 26 dias, deixei o Groupon Brasil. Não faria nada diferente, passaria por tudo outra vez, pelas madrugadas sem fim, pelas dobras, textos, GVs, treinamentos, vídeos institucionais. Daria as mesmas broncas e conselhos, aceitaria as críticas e os elogios, abraçaria a causa, sempre. Porque? Porque meu DNA é verde. Simples assim. As mudanças são sempre necessárias, a evolução é constante e assim, o casamento chegou ao fim (ao menos eu não vou gastar nada na separação). O que importa é o respeito que eu sempre tive por todos que cruzaram minha trajetória, sem ver cara ou crachá. Eu vou sentir falta de muitas coisas, de muitas pessoas. E sei que vou fazer falta também. Se não fui o mais brilhante, certamente fui o mais esforçado e essa é a lição que eu vou levar pra sempre. Quando eu entrei, eu era um redator cheio de sonhos e esperança, que queria muito trabalhar naquela empresa tão jovem, cheia de energia e sem muita organização. Saio como Editor-Chefe, certo de que fiz o melhor que eu podia. Saio como amigo, exemplo, ícone e, como disseram hoje, ídolo. Saio cheio de esperança de dias melhores para mim e para o Groupon, porque verde é a cor da esperança, do meu sangue e do meu coração.
Obrigado, a todos que convivi nesta época maravilhosa no Groupon Brasil. Por tudo. Para sempre.
Até breve!"


terça-feira, maio 13, 2014

Não tenho mais 21 anos

 

 
Tudo que eu precisava era colocar tudo pra fora, falar as verdades na cara de quem precisava ouvir, colocar o dedo na cara se for preciso. Mas eu não tenho mais 29 21 anos, então achei melhor me calar e engolir o sapo. Acordei às 2h da manhã, com uma sensação horrível, de sufocamento, um puta medo de morrer, dores no corpo. Com esse tanto de nego morrendo, comecei a achar que era minha vez. E agora? Grudei na Bíblia e desandei a rezar. 5h30 foi a última hora que vi no relógio. Dormi. Acordei com dores nas costas, a mesma sensação de aperto, medo. Caralho! Que desespero. Lá pelas 15h, sentia a mão formigar, o peito apertado, suor. Chamei o Danilo, que foi comigo ao Hospital Nove de Julho. Cerca de 700m do trabalho, que, graças à experiência na geografia paulistana do querido Liliu, se transformou em uns 20km, passando por ladeiras, manifestação de professores, tudo sob um sol consideravelmente quente.
Além de perceber que não era tão grave, pois se fosse teria morrido na rua, a caminhada me fez sentir melhor, mais leve. 
No pré-atendimento, a pressão estava ok, os batimentos levemente acelerados eram por conta da rota alternativa e eu fiquei lá, aguardando a hora do médico me atender. Quase uma hora entre triagem, eletrocardiograma, consulta e retorno, um alerta do médico: "Pegue leve. Isso é um quadro de estresse alto, com acúmulo de adrenalina no corpo, que acabou resultando em todos os sintomas. Se você não cuidar disso, pode entrar em um quadro de síndrome do pânico, que é muito difícil de tratar sem remédios. E acredite, você não vai querer tomar esse tipo de remédio. Seu coração tá ótimo, mas evite café, energético, evite se estressar. Faça exercícios para liberar a adrenalina, faça algo que você realmente goste e lembre-se; você não tem mais 21 anos."
Realmente, eu não tenho mais 21 anos. Faz tempo. Nos últimos anos trabalhei demais, no limite do meu organismo. Me diverti pouco, não viajei, não descansei, não tive um só dia em que eu esquecesse do trabalho, das contas, do carro, da responsabilidade. 
Enquanto eu dava risada com a enfermeira que me dizia que eu deveria falar mais palavrões, não guardar nada, pensei se isso é realmente necessário. Pensei na minha mãe, que estava tão desesperada que mandei uma foto pra ela se acalmar, na minha namorada que é um anjo na minha vida e vai ter que me aguentar por mais uns 50 anos, mais ou menos e até no puto do Danilo, que ficou comigo o tempo todo, (tanto que o médico já tava achando que a gente fazia um casal bonito) que estava preocupado e com a consciencia pesada por me fazer andar no meio de manifestantantes e subir ladeiras até o hospital.
Foi a primeira vez que eu engoli um sapo e meu organismo o rejeitou. Como todo mundo sabe, não nasci pra isso. E não farei isso de novo. Minha saúde é mais valiosa do que qualquer outra coisa que eu tenha conquistado nos últimos anos.
Com ela posso ir a qualquer lugar.