quarta-feira, julho 30, 2014

Legado







"Eu gostaria que as pessoas olhassem para uma foto minha e rissem. Contassem algumas histórias e algumas mentiras sobre mim; 'Eu estava lá quando ele...' Qualquer coisa para trazer alegria É assim que eu gostaria de ser lembrado" Richard Pryor





Em uma dessas várias madrugadas em que o sono foi perambular por aí, assisti um documentário sobre - na minha opinião - o maior gênio da comédia em todos os tempos. Pryor disse a frase acima quando perguntado como gostaria de ser lembrado. Curiosamente, durante o dia, ex-colegas de trabalho amigos me disseram o quanto sentiam minha falta, como pessoa e profissional, o quanto eu era lembrado naquele escritório na Avenida Paulista. 
Agora há pouco, fui jantar com a Carla e o André e falamos disso. Dos amigos que deixamos para trás, dos que nos deixaram para trás, de como éramos uma galera tão unida, e hoje somos apenas 3. Como eles serão lembrados? Por quem?
Engraçado pensar em como você gostaria de ser lembrado. Encontrar essa resposta pode definir muita coisa sobre como levar a vida deste ponto em diante. As atitudes que você toma, as experiências que o definem, as pessoas com quem você se relaciona e o quanto você se torna especial para elas, ou, vai saber, deixa de ser.
A gente faz muita besteira no decorrer da vida. Magoamos pessoas, somos arrogantes, nos deixamos cegar pela ganância e, quanto mais tempo você demorar para perceber o imbecil que você está se tornando, maior a chance de você ser lembrado como um imbecil, ou, ser esquecido.

E você, como quer ser lembrado?


segunda-feira, julho 21, 2014

Mil sonhos por dia (beta version)







Há quase 20 dias, a vida me deu um tapa na cara e um copo de café forte enquanto dizia: "Acorda, caralho!"
Sim. A morte do Alemão mexeu comigo de um jeito que nada havia mexido. Sim, já perdi pessoas importantíssimas e a morte delas também mexeu comigo, mas de uma forma diferente. A cada pancada, eu ia me encolhendo. E foram várias. Talvez, por isso, eu tenha deixado de lado tantas coisas que eu sempre quis fazer. Coisas simples, mas que se tornaram impossível aos meus olhos a cada dia. 
Desde quando o Alemão se foi, inúmeras vezes parei para pensar no que ele estaria fazendo se tudo tivesse dado certo e ele tivesse voltado pra casa após o transplante.
Certamente, ele estaria rodeado pelos amigos, planejando uma viagem, um pagode, contando histórias, amando a vida e demonstrando isso pra ela a cada segundo.
Eu ainda estou aqui. E porque eu não faço isso?
Enquanto trabalhava, tive uma ideia que pode mudar o mundo. Ao menos o meu. E isso já o bastante. Paralelo a esse humilde espaço que ocupo na rede mundial de computadores, criei um puxadinho onde vou registrar tudo o que eu sempre quis fazer e sempre deixei pra depois. 
Fotos, vídeos, minhas histórias, histórias de outras pessoas, tudo será registrado e contado por mim.
Como eu já disse um dia, a vida é o espaço de tempo que temos entre o nascimento e a morte para encontrarmos a felicidade. E a partir de agora eu pretendo fazer isso direito.
A partir de hoje, o depois mudou de nome. Se chama AGORA.

Em breve, o Mil Sonhos Por Dia estará por aí. E eu também.



sexta-feira, julho 18, 2014

Movin' Forward





Cheio de sonhos e com vontade de mudar o mundo, lá foi ele. Enquanto o vento lambia seu rosto, ele corria em direção ao futuro, sem planos, sem saber pra onde iria. Para ele, somente o fato de ir a algum lugar, já era o suficiente. 
Então, ele abre os olhos de repente, se olha no espelho enquanto a água gelada da manhã escorre pelo rosto. No reflexo, cabelos brancos e o olhar perdido ao encontrar um rosto que já não parece familiar. Aliás, quase nada lhe parece familiar. Os sonhos, a vontade de mudar o mundo, o destino. Desta época, apenas as lembranças, a saudade dos amigos que se foram, dos que ainda estão aqui, mas de certo modo, também se foram. E agora? O que aconteceu neste intervalo?
Ele não se lembra.
Estava ocupado com tristezas, decepções, trabalho, estudo, dinheiro...E esqueceu de viver seus sonhos.
Esqueceu de conhecer os lugares que sonhava quando criança. Deixou a viagem com os amigos, o curso que queria fazer, a faculdade que iria cursar, tudo para depois. E o depois se tornou ontem.
E agora? Quanto tempo tem? 
Ninguém sabe.
Por não saber quanto tempo tem, sua esperança se renova, a busca pelo novo, de novo, se torna uma obsessão. Não há mais tempo a perder. 
E se tudo der errado? Impossível. Nada dá errado quando se luta por um sonho. Até hoje, o que deu errado foi por falta de luta, por achar que tudo estaria lá, esperando. O tempo passou, e quem ficou esperando foi ele.
Até hoje.
Amanhã, os velhos sonhos serão realizados de um jeito novo. Sua vontade de mudar o mundo é agora, a vontade de mudar seu próprio mundo, aquele que está ao seu redor. O vento lambe seu rosto, já marcado pelo tempo e seus planos tem um só objetivo; encontrar a felicidade que ficou perdida pelo caminho.
Porque a vida é assim, amigos. Uma eterna busca por algo que você só descobre o que é quando chega lá.
Pense grande. Voe alto. Esse é o segredo.

terça-feira, julho 15, 2014

Diga trinta e seis


Desde o meu primeiro choro, há 34 anos, percebi que era um cara especial. Não, nenhuma estrela caiu no hospital, nem 3 reis magos vieram me trazer presentes (não sou tão especial assim). Também não nasci com talentos sobrenaturais, ou com o bumbum virado pra lua. Só dei sorte de ser fruto de um amor que hoje completa 36 anos. Foi como se eu já começasse o jogo ganhando de 1x0. Tudo o que eu fiz de errado nessa vida - e foram tantas coisas - fiz não por falta de aviso, mas por falta de vergonha na cara. Sempre fui muito bem aconselhado, orientado, mas até bem pouco tempo atrás, achava que sabia de tudo. Não, não sabia. Eles sabiam e ainda sabem. Hoje, já mais velho, deixei aquele adolescente para trás. Mas eles não. "Olha essa roupa no chão". "Cuidado na estrada", "Ainda não dormiu", são frases que eu escuto até hoje, mesmo recolhendo a roupa, dirigindo abaixo do limite e dormindo cedo (na maioria das vezes) Eu não poderia ser mais orgulhoso dessa história tão linda, que começou lá em Nova Granada e que estará viva para sempre. Com eles, comigo e com a minha irmã. Depois com meus sobrinhos, meus filhos e até mesmo com qualquer um que já os tenha visto juntos e suspiram ao vê-los andando de mãos dadas até hoje. Pai, Mãe, obrigado por fazerem de mim o cara que eu sou. Posso não ser grande coisa, mas imagina se eu fosse filho de outro casal? Aí sim eu queria ver alguém me segurar nesse mundo. Amo vocês!


quinta-feira, julho 03, 2014

E o meu medo maior é o espelho se quebrar...





Hoje, por diversas vezes, ouvi você cantar. Parecia que estava aqui, ao meu lado. É duro, cara. Sua partida abriu um buraco enorme no meu peito e eu não sei como fechá-lo. Com o tempo espero que isso aconteça, mas a cicatriz será inevitável. Ver toda aquela galera, que daria a vida por você, chorando sua partida foi foda. Logo você, que era a razão da alegria de muitos ali, nos fez morrer um pouco ontem.
Com um certo atraso passei a rever alguns princípios, coisas que você nos ensinava todos os dias, mas que o tempo - ou a falta dele - se encarregava de nos fazer esquecer. 
Estamos sempre preocupados com o "hoje" e nos esquecemos do "amanhã", que talvez se torne um "nunca mais". Deixamos pra depois o que pode ser feito agora. 
Cegados pela certeza de que as pessoas que amamos sempre estarão ao nosso lado, deixamos tudo pra mais tarde.
Em meio a esses pensamentos filosóficos, que podem soar como uma grande "viadeza" (essa palavra é sua. Na verdade ela nem existe), me pego rindo de uma das várias histórias que passamos juntos ou uma daquelas que você contava e a gente insistia em não acreditar, de tão surreal.
Ontem, na sua despedida, aquelas mesmas pessoas que inúmeras vezes te aplaudiram se reuniram mais uma vez para te homenagear. Graças ao André, a Carol e a Carla, eu consegui me levantar e sair da cama onde tinha ficado, durante horas, olhando pro nada. 
A impressão era que você iria chegar lá dando risada e abraçaria cada um de nós.
Falando nisso, me lembrei do nosso último abraço, quando saí do último pagode. Brinquei falando que você estava com a cor da esperança e você me disse: 
"Verde né? Deveria ter escolhido outra cor". 
Estou vestindo preto hoje. Não por sua causa, apenas coincidência. Eu também deveria ter escolhido outra cor, uma alegre, como você.
Preciso dar um jeito de colocar a dor pra fora e acho que escrevendo pra você é um jeito bonito de deixar marcado por aí o que você foi pra mim; um espelho, um herói, um amigo, um irmão.
O cara que me dava broncas, como no dia que eu arrumei briga com um cara no Dr. Cerva e você me deu um puta esporro. 

- Caralho, Léo! Vai arrumar briga aqui? Estamos aqui todo domingo! E se o cara volta e te dá um tiro? E outra, você cuspiu no cara, isso não se faz!!

Uma hora depois, você arrumou a maior briga que eu já vi na minha vida. (aquela em que o bar foi destruído e nunca mais abriu).
Quando recolhíamos o que sobrou das coisas, eu só te olhei. Você gargalhou e disse: "pelo menos eu não cuspi em ninguém."
São essas e outras histórias que me dão a certeza que a dor vai passar, vai virar uma saudade gigante, gostosa e vamos seguir a vida lembrando de você assim, alegre.
Também tenho certeza que meu espelho nunca vai se quebrar, sua voz jamais irá se calar, não aqui, dentro de mim.
Continue cantando, canário.

#PrasempreAlemão


quarta-feira, julho 02, 2014

#PrasempreAlemão





Eram 14h em Cajamar quando recebi uma mensagem que dizia: "O Alemão não aguentou.."
De repente, o tempo parece ter congelado ao meu redor; o barulho do escritório sumiu, assim como as pessoas, que entravam e saiam sem parar. O monitor perdeu as cores, o teclado perdeu as letras e foi assim que eu percebi que tinha perdido um grande amigo, o Alemão.
Depois de ser liberado pela minha chefe, saí do Walmart.com rumo à SP, pela Via Anhanguera, pensando em tudo o que passamos juntos nos pagodes, nas horas difíceis, na saúde, na doença, nas festas...
Minhas lembranças foram interrompidas por uma cancela e um grito assustado de "moço!". 
Pois é, a cabine do "Sem Parar" era a outra. 
Dei ré e segui meu caminho pelo lugar certo. Passei por Pirituba, terra do Alemão, do Grande Arte e daquela família que construímos com o tempo e que nos seguia onde quer que fossemos. De longe, avistei o "Academia da Cerveja", primeiro palco que dividi com meu amigo. 
Em uma tentativa frustrada de enganar a realidade, ouvia as últimas mensagens de voz que trocamos no whatsapp. As gargalhadas, o quanto ele se emocionou com o vídeo que eu fiz prometendo que iria com ele ao Itaquerão, com a camisa do Corinthians, torcer pro seu time de coração. 

Pela primeira vez na vida eu estou sem palavras. A única pessoa que era unanimidade nesse mundo se foi. Não conheço ninguém que não goste do Alemão. Ninguém mesmo.
Ver um cara que sempre lutou tanto, contra tudo e contra todos, perder essa batalha assim, deixa a gente meio sem esperança, com a sensação que não se pode vencer, afinal.
Mas, pensando bem, como uma pessoa que brilhou por todos os lugares em que passou, espalhando alegria, amor e amizade pode nos deixar sem esperança? 
Hoje, por mais que a dor seja imensurável, confio que ela irá se transformar em um lindo exemplo de luta, força e fé. A nós que estamos chorando a perda desse cara incrível, resta lembrar as histórias divertidas. E que quando nos encontrarmos novamente, que ele seja lembrado com sorrisos, gargalhadas e aplausos, que era o que ele sempre provocava em qualquer lugar. 
E como lidar com a saudade? Honestamente, ainda não sei, mas vou descobrir.
Até lá, continuarei revendo fotos, ouvindo as músicas e rindo sozinho ao lembrar de você sorrindo, sem graça, ao meu lado nos palcos, me perguntando sempre a mesma coisa: "como é que começa essa música?"

#PrasempreAlemão