quarta-feira, dezembro 31, 2014

Eita, 2014

Primeiro, a trilha sonora. A melhor música do ano.




Há exatos 365 dias, escrevi um post  cheio de esperança em um ano melhor. Mas de uma certa forma, 2014 foi bem frustrante. O bom é que ele acaba hoje. Menos mal é que as experiências ruins ensinam muito mais que as boas, logo, este ano foi o que mais aprendi. Algumas coisas continuavam como em 2013, como minhas declarações de amor escondidas, das superstições nos dias de jogos do Palmeiras. 
Ah, assim como em 2013 tirei férias e viajei pouco, porque estava cansado demais pra viajar pra longe. 
Reencontrei os amigos da faculdade e foi muito legal.
E aí, de repente, a sorte virou. Uma sequência de episódios marcantes na minha vida, que me farão sempre lembrar com tristeza deste ano. Em uma manhã de sexta, o telefone tocou e meu tio, que mal conseguia falar, dava a notícia. O Rico, meu primo, se foi. 
Dias depois, um ciclista bateu no meu carro quando eu estava parado no farol. Mas as coisas pareciam que iam melhorar. Em uma conversa honesta no trabalho, meu chefe disse que estava querendo me promover a gerente, pois o gerente atual era fraco, não tinha pulso firme e maturidade para o cargo. Fiquei animado, passei a me esforçar ainda mais e os planos de comprar um apartamento com a Jacque estavam prestes a se concretizar! Estávamos com o contrato pronto, no outro sábado levaríamos tudo lá e começaríamos a construir nosso sonho. 
Na segunda-feira, estava tomando café na copa quando meu chefe entrou, me viu e, sem graça, saiu. O "fraco" como diria o meu chefe, saiu sem se despedir de mim. E logo eu matei a charada. Quem iria embora seria eu. Avisei meus pais, minha namorada, tirei os arquivos do meu celular e me preparei. Na terça, incomodado com a indiferença dos outros comigo, tive uma crise de ansiedade horrível, achei que iria morrer na minha mesa e fui parar no hospital.
Na volta, nem me perguntaram como eu estava. Continuei trabalhando até as 23h30.
Na manhã de quarta, não teve jeito: após 3 anos e meio de Groupon, fui dispensado como um qualquer, no meio de um bando. Ainda fui obrigado a ver toda aquela hipocrisia, choradeira, "ah, como é difícil te demitir". Esse episódio teve consequências muito fortes pra mim. Ao menos eu tenho a consciência que deixei tudo o que eu tinha de suor. Tudo. Mas foi difícil sair e ver gente que dormia no banheiro, na mesa, lá ainda, ou gente que ganhava muito mais que eu pra ficar vendo gifs e vídeos no Youtube o dia todo. Fora o imbecil, mau caráter que se dizia poliglota mas não sabia os dias da semana em inglês e que eu carreguei nas costas durante 2 anos. Mas o que esperar de uma pessoa que entrou na empresa de uma maneira tão suja. 
Ao menos deixei muitos amigos e admiradores do meu trabalho. 
Tentei recomeçar e fiz um Curriculo legal, seguindo o modelo do Robson.
De repente, meu tio Zé também se vai
Eu estava começando a me animar novamente, a Luciana me deu uma nova chance de recomeçar lá em Cajamar, onde conheci e reencontrei pessoas muito legais. Tudo ia bem, até que eu recebi a pancada mais dolorida de 2014. Uma daquelas que você nunca vai entender ou aceitar, mas tem que seguir em frente. O Alemão foi embora. Não aguentou o transplante de fígado.
Depois desse dia, eu já não conseguia fazer mais nada. Trabalhar, conversar com família, ver os amigos. Estava deprimido, ainda tinha crises de pânico e achava que meu trabalho estava muito ruim. Fiquei maluco e saí do emprego. 15 dias depois, recebi uma proposta muito legal, de uma pessoa sensacional e de um emprego legal demais. Aceitei e foi a pior coisa que eu fiz. Eu não estava pronto, ainda não tinha engolido a demissão no Groupon, nem aceitado a ida do Alemão. Eu deveria ter descansado, mas não, fui tentar provar pra mim mesmo que eu podia. E eu já não podia mais. Fiquei um mês e saí. Precisava descansar, pensar, refletir sobre tudo o que aconteceu em 2014.
Precisava resgatar a felicidade plena, e tentei levar a vida numa boa, curtir mais. Levei meu pai pra ver o César Maluco, o ídolo máximo dele, assisti um filme fodafui ver Anabelle, e dei uma zoadinha no Pita, que nem me convidou pro casamento.   Em compensação, vi idiotas falando pela bunda nas eleições, tentei reaproximar meus amigos e tomei no rabo, porque eles pararam de falar comigo. Nem mesmo um feliz aniversário eu ganhei. Sofri com o aniversário do Alemão e vi a inauguração do melhor estádio do mundo com o pior time da história jogando nele. Escapamos do rebaixamento por milagre.
Há 4 dias fiz 35 anos. Comecei a pensar muito no que eu quero e, acima de tudo, o que eu não quero, não só pra 2015, mas sim para o resto da vida. Foi um ano de encerramento de ciclos ruins, de amizades de merda, de gente falsa e de essa mania merda que eu peguei de ligar muito para o que os outros pensam. Quero trabalhar bastante, namorar muito, ficar rodeado de poucas e boas pessoas e dormir todas as noites com aquela sensação boa de ter feito bem pra mim e para quem está ao meu redor. 

Obrigado a todos que leram este longo texto até o fim e que acompanham este blog real e surreal. Que 2015 seja um ano espetacular para todos nós e que todos encontrem a felicidade, onde quer que ela esteja. 
PS: Obrigado à minha Pretinha e família, que foram fundamentais para que eu não enlouquecesse este ano. Amo vocês!
PS2: Quem esqueceu do meu aniversário não fique triste, quem faz aniversário dia 27/12 está preparado pra isso. 
PS3: É um bom videogame mas o XBOX 360 é mais legal. (Piada pra Flavinha)

Good Vibrations a todos e feliz 2015

segunda-feira, dezembro 22, 2014

Carta para vovó - Parte 3


Oi, Vó. Como estão as coisas por aí? 
Esse ano foi difícil, viu...O colo da senhora nunca me fez tanta falta. Tanta coisa aconteceu desde minha última carta que eu nem sei por onde começar. Talvez pela parte boa. Viu minha namorada, que linda? Ela e a família dela são uma benção na minha vida. E minha sogra, que faz um bolinho igual o da senhora. Só que eles chamam de "peta". Até chorei quando comi. Lembrei da senhora, de como a gente tomava bronca quando queimávamos a boca por não esperarmos esfriar. No mais, estamos todos com saúde. Eu, meus pais, a Fê, o Anderson, as crianças, o tio, a tia e o Ramon, o Dan e a Mariana. Tudo certo. 
Esse ano precisei tanto da tua mão pesada me confortando. Tudo deu errado, Vó. Tudo.
Fui mandado embora daquele emprego de um jeito muito covarde, sujo mesmo. Lembrei de quando a senhora dizia que eu tinha que desconfiar de todo mundo, porque tem muita gente ruim por aí. Tem mesmo.
Depois desse, entrei e saí de outros dois empregos, mas não tinha que ter entrado em nenhum, porque ainda estava muito desapontado. Deveria ter descansado, passeado. Na verdade, queria que a senhora estivesse aqui pra conversar comigo. Todo mundo esteve muito ocupado esse ano. E eu não consegui pedir ajuda, mesmo tendo precisado como nunca. 
Quando pedi, já era tarde, eu já tinha feito tudo errado, o ano já tinha acabado e minha pequena só podia me ouvir e me consolar.
Tanta gente querida foi pra perto da senhora esse ano. O Rico, o Tio Zé, o Alemão. Ao menos o filho do André e da Carla nasce mês que vem. Uns vem, outros vão. É a vida.
Eu queria ter mais coisas boas pra contar. Dizer que tudo o que planejei este ano deu certo. Mas foi quase. Faltou pouco pra eu comprar um apartamento e casar. Se Deus quiser o ano que vem vai ser melhor. 
Esse tá acabando. Logo é Natal, meu aniversário e o Ano Novo. Era a época do ano que eu mais gostava; acordava tarde, já o cheiro do frango e do peru que a senhora começava a fazer logo cedo e sorria. Sabia que seria mais uma festa gostosa, com comida, alegria e muita risada, graças às suas histórias.
Eu juro que tento passá-las adiante. Tanto que a Jacque já sabe quase todas. Até "munha" ela já fala.
Também prometo me esforçar ao máximo pra que o ano que vem eu só tenha coisas boas pra contar pra senhora. Deixá-la orgulhosa. Além disso, vou tentar ser aquele cara alegre como eu era há um tempo. Contar histórias, piadas, causos, mesmo sabendo que aquela risada estridente da senhora vai ficar apenas na minha memória, no meu coração e aceitar que as coisas nem sempre vão sair como a gente quer. Afinal, "não tem que fun, nem que rifunfun; a lei é que manda".
Até a próxima, velha. Te amo.
Ah, sua bengala tá aqui no meu quarto, tá? Qualquer coisa...

domingo, dezembro 07, 2014

A bola

Pra mim, o futebol é mais que um simples esporte. Não que eu tenha uma definição pra ele. Não, não tenho. Talvez por isso ele seja tão mágico, por não ter classificação ou adjetivação ideal para mim. As primeiras lembranças que tenho desses quase 35 anos (faltam exatos 20 dias) me colocam na cozinha de casa, ao lado de um rádio verde, que por sinal eu aprendi a odiar assim que comecei a ir à escola, pois era ele que despertava com a música da Jovem Pan. Mas foi nele que ouvia os jogos com meu pai. Leão, Vágner, Caçapa, Edu, Jorginho, Mirandinha, Éder, foram os nomes a ecoar nas paredes de casa pela voz de José Silvério. Depois dos jogos, ia dormir ouvindo Milton Neves e o Terceiro Tempo.
Desde meu primeiro jogo ao vivo, naquele 10 de setembro de 1986, já vivi de tudo no estádio. Alegrias, tristezas, decepções. Já vi golaços, frangos, craques, cabeças-de-bagre, milagres e dei muita risada. Quase sempre ao lado do meu pai. 
E talvez aí a chave de tanta paixão pelo Palmeiras, pelo futebol. Sempre fomos aos jogos juntos. Algumas vezes, estávamos brigados, mas a arquibancada era a bandeira branca. Outras vezes, ia sozinho. Nessas vezes, chegava bem cedo, pensava na vida, refletia, sonhava, mal prestava atenção no jogo. Nem lembro quantas vezes ia naquele lugar lotado para me isolar do mundo. Vai entender.
Este ano, que foi o mais difícil da minha nada mole vida, fui a 21 jogos. Não me lembro de ter ido tanto ao estádio. Também não me lembro de ter visto o Palmeiras perder tanto. E antes que digam que sou pé frio, saibam que este time é o pior da história alviverde. Mas mesmo assim, hoje, as 17h estarei lá. Torcendo contra o terceiro e mais humilhante resultado da história: o rebaixamento no ano do centenário. Usarei de todas as superstições que carreguei de 1986 a 2008, e que nos últimos anos deixei de lado por que parei de acreditar em algumas superstições. Hoje é dia de voltar a não ir ao jogo com a camisa do Palmeiras, de fazer a barba antes de sair de casa, de não usar óculos, entre outras coisas. Pode ser besteira, mas e daí? Como uma vez ouvi por ai, o futebol é a coisa mais importante das menos importantes.
Mas neste ano tão difícil, o que me resta hoje é torcer por uma vitória tranquila, sem sustos. Para que 2015 seja melhor, para o Palmeiras, para mim. Logo eu, que comecei este ano tão cheio de esperança e hoje apenas torço para que ele acabe, assim como este campeonato. Espero que hoje, as 20h, eu esteja deitado no colo da minha namorada, contando os detalhes da vitória, e ela, com toda paciência que lhe é peculiar, ouça e sorria, como sempre faz.
Que 2015 carregue o verde da esperança, do Palmeiras, do meu coração.
E se tudo der errado, que a gente levante e continue na luta. 
Porque o futebol é muito mais parecido com a vida do que se imagina.